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“Saúde e economia não competem entre si”, diz novo ministro da Saúde

Indicado ao cargo nesta quinta, Nelson Teich disse que existe um “alinhamento completo” entre ele e Bolsonaro

Nelson Teich, ministro da Saúde (Foto: Carolina Antunes/PR)
Nelson Teich, ministro da Saúde (Foto: Carolina Antunes/PR)

Em pronunciamento ao lado do presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quinta-feira (16/4), logo após ser anunciado como novo ministro da Saúde, Nelson Teich criticou a polarização entre as áreas de saúde e economia.

“A gente discutir saúde e economia é muito ruim porque, na verdade, elas não competem entre si, elas são completamente complementares. Quando você polariza você começa a tratar como se fosse pessoas versus dinheiro, o bem versus o mal, emprego versus pessoas doentes, e não é nada disso”, declarou Teich.

Minutos antes, logo após anunciar a demissão de Luiz Henrique Mandetta, Bolsonaro afirmou que, desde o início da pandemia, tentou alinhar a equipe ministerial pela manutenção dos empregos. Apesar de ter indicado a possibilidade de flexibilização da política de isolamento, em alinhamento com o presidente da República, Teich descartou uma mudança brusca e defendeu o uso de informações científicas para embasar as ações do Executivo.

“Vou deixar claro que existe um alinhamento completo, aqui, entre mim e o presidente e todo o grupo do ministério. Realmente, o que a gente está fazendo aqui hoje é trabalhar para que a sociedade retome de forma cada vez mais rápida a uma vida normal. Que a gente trabalhe pelo país e pela sociedade”, afirmou, sem detalhar ideias que chegou a manifestar em artigos sobre o tema.

Discurso econômico

Ao lado de Nelson Teich, Bolsonaro fez um discurso centrado na economia. O presidente disse que a saída de Mandetta foi um “divórcio consensual” e reduziu as divergências entre os dois ao discurso econômico.

“Ao longo desse tempo é direito do ainda ministro defender o seu ponto de vista como médico. A questão de entender também a questão do emprego não foi da forma como eu achei que deveria ser tratada. Não o condeno, não recrimino e não critico o ministro Mandetta. Ele fez aquilo que, como médico, deveria fazer”, afirmou Bolsonaro, voltando a defender seu ponto de vista econômico diante da pandemia:

“Quando se fala em saúde, em vida, a gente não pode deixar de falar de emprego. A pessoa desempregada está mais propensa a sofrer problemas de saúde do que uma outra empregada. Desde o começo da pandemia, eu me dirigi a todos os ministros e falei da vida e do emprego”, disse.

Programa de teste público-privado

Nelson Teich enfatizou que para tomar medidas contra a Covid-19 era necessário entender melhor a doença e seu contexto. Ele defendeu que o ministério deve colher dados e analisá-los para tomar embasar decisões. Além disso, anunciou que pretende montar, o mais rápido possível, um “programa de teste” envolvendo o SUS e a iniciativa privada para monitorar a disseminação do coronavírus pelo Brasil.

“É fundamental que a gente tenha uma avaliação do que é essa doença hoje. Se você não domina isso você vira um barco à deriva. Quando a gente começar a entender isso, a gente assume o comando desse problema”, afirmou.

Segundo o novo ministro, ainda não há definições sobre o formato da força-tarefa sugerida. “Temos que fazer um grande programa, definir qual é a melhor forma, como vai fazer, que tipo de testes, isso vai gerar uma capacidade de entender a doença e vai dar para a gente uma capacidade enorme de definir ações e conseguir controlar o que está acontecendo. E que isso aconteça o mais rápido possível”, concluiu Teich.