Saúde

Regulação

Novo presidente da Anvisa nomeia aliado de Michel Temer para gabinete

Rogério Abdalla, que foi retirado por Dilma da Conab em 2016, assume como adjunto na diretoria de Dib

Crédito: Anvisa - 24/05/2016

O presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), William Dib, nomeou na última semana o engenheiro Rogério Luiz Zeraik Abdalla para o cargo de diretor-adjunto da Diretoria de Controle e Monitoramento Sanitário (Dimon).

Ligado ao MDB e ao presidente da República, Michel Temer, o novo diretor-adjunto deixou há poucos dias o cargo de secretário do Trabalho e da Educação no Ministério da Saúde. Antes, Abdalla havia atuado por cerca de uma década na Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Em 2016, a exoneração de Abdalla da direção da Conab foi interpretada como represália de Dilma Rousseff a Temer pela articulação do impeachment da petista.

Segundo o regimento interno da Anvisa, o diretor-adjunto tem a função de auxiliar, mas não substitui o titular da área. Procurada, a Anvisa não se manifestou sobre a nomeação.

Anvisa em movimento

A nomeação de Dib à presidência da Anvisa, em 21 de setembro, reabre discussão sobre distribuição de diretorias. No começo de julho, uma troca não planejada gerou mal-estar no comando da casa.

Ao assumir o comando da agência, Dib prometeu avanços na área de Tecnologia de Informação (TI) e uma gestão sem movimentos bruscos. “Não tenho temperamento de inventar a roda”, disse. Também afirmou que pautaria em breve mudanças em cadeiras da Diretoria Colegiada.

Nas declarações seguintes, o presidente tocou em temas sensíveis dentro da agência, como o processo de rotulagem nutricional de alimentos.

Dib sugeriu que a Anvisa poderia adotar modelo similar ao defendido pela indústria, de semáforo, praticamente descartado em análise prévia da área técnica. Também criticou o formato chileno de rotulagem.

As falas soaram, nos bastidores da agência, como uma fatura a pagar ao Planalto pela nomeação a presidente, o que Dib nega. Diversas entidades ligadas à saúde cobraram explicações do dirigente.

Segundo a assessoria da Anvisa, as conclusões de relatório da área técnica indicaram que o “modelo semi-interpretativo que informa o alto teor de nutrientes críticos [rechaçado pela indústria] é mais adequado para alcance do objetivo regulatório.” Ainda segundo a agência, porém, é possível que modelos não citados em relatório sejam escolhidos.


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