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Ministério da Ciência e Tecnologia desiste de pesquisa com hidroxicloroquina

Segundo a pasta, o motivo é a existência de estudo parecido autorizado pela Anvisa e em fase final

Sede do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - MCTI (Foto: Divulgação)

A pesquisa financiada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) que testaria a hidroxicloroquina no tratamento de pacientes graves com Covid-19 foi cancelada no início de junho, antes mesmo de começar. O estudo clínico recebeu anuência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 12 de maio e tinha como patrocinadora a Eurofarma, cuja atribuição seria o fornecimento da medicação. 

A proposta era testar um novo esquema terapêutico para falência respiratória aguda associada à pneumonia causada pelo coronavírus.

Segundo o MCTI, a decisão foi da pesquisadora Patricia Rocco, chefe do Laboratório de Investigação Pulmonar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), responsável pela pesquisa. Procurada pelo JOTA, ela confirmou a informação.

O motivo, de acordo com a pasta, foi a existência de um estudo em fase final na agência reguladora para avaliação de eficácia e segurança em pacientes hospitalizados com pneumonia causada pelo vírus SARS-CoV-2. 

“Entende-se, portanto, que os estudos conduzidos pelo grupo Coalizão Covid-19 e pela pesquisadora seriam semelhantes, abrangendo o mesmo perfil de participantes de pesquisa e avaliariam a taxa de mortalidade, a necessidade de oxigenação e a duração das hospitalizações, dentre outros desfechos que também se assemelham, como os desfechos de segurança. Diante desta informação e com o objetivo de melhor utilizar recursos públicos, a pesquisadora Patricia Rocco decidiu não iniciar novo estudo hidroxicloroquina (HCQ) associada a azitromicina (AZC)”, informou o ministério. 

O estudo citado pelo MCTI, semelhante ao que foi cancelado, é coordenado pelo pesquisador Otávio Berwanger, do Hospital Israelita Albert Einstein. 

Revisão de estudos

Em resposta a procuradores do Ministério Público Federal (MPF), a área técnica da agência informou, no fim de maio, que revisava os estudos aprovados com o uso dos medicamentos para tratamento da Covid-19. O objetivo era decidir se as pesquisas deveriam ser interrompidas por questões de segurança.

A pesquisa financiada pelo MCTI e patrocinada pela Eurofarma foi cancelada antes da avaliação. As outras três pesquisas em andamento, patrocinadas pela EMS, receberam o aval da reguladora para prosseguirem, entre elas a citada pelo ministério, já em fase final.

A decisão foi tomada na última semana pela Anvisa, depois de reuniões com o comitê independente composto por cientistas da Austrália e da Nova Zelândia.