Saúde

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Uso medicinal aumenta apoio a plantio de maconha no Brasil

A conclusão está na pesquisa JOTA/Ibpad de dezembro

Reprodução @flickr

A liberação do plantio de maconha ganha um apoio muito maior entre a população brasileira quando está associada ao uso medicinal. O mesmo efeito não é observado se o argumento para a liberação é econômico. Os dados fazem parte de um estudo experimental feito pelo JOTA na sua mais recente pesquisa de opinião em parceria com o Ibpad, divulgada com exclusividade para assinantes JOTA Pro. 

Para testar o efeito de diferentes argumentos no apoio à liberação do plantio da maconha, o JOTA apresentou três perguntas de forma aleatorizada. Um sorteio foi realizado para definir que tipo de pergunta cada respondente da pesquisa iria receber.

A primeira pergunta, ou o grupo de controle, foi direta: Você é a favor ou contra o plantio da maconha no país? O segundo grupo recebeu a seguinte pergunta: Você é a favor ou contra o plantio da maconha no país para fins medicinais? Já o terceiro grupo recebeu um estímulo diferente, mais ligado aos efeitos econômicos: Você é a favor ou contra o plantio da maconha, que pode gerar uma receita para o governo com arrecadação de impostos de até R$ 5 bilhões de reais?

Os resultados são muito significativos tanto do ponto de vista estatístico quando substantivo. Enquanto no grupo de controle, 46,9% se dizem a favor da liberação do plantio e 46,4% se dizem contra, quando adicionamos o estímulo do uso medicinal, o apoio à liberação do plantio sobe para 67,2%,enquanto o percentual de contrários cai para 28%. Ou seja, associar a liberação do plantio de maconha ao uso medicinal eleva o apoio em mais de 20 pontos percentuais, chegando a mais de dois terços da população.

O mesmo efeito não é encontrado no argumento econômico. Quando o estímulo apresentado é o de ganho com arrecadação de impostos de até R$ 5 bilhões de reais, o percentual daqueles que se dizem favoráveis varia para 51,9%, estatisticamente muito mais próximo do grupo de controle. Já o número de contrários cai para 40,7%.

A pesquisa realizou 2.005 entrevistas por telefone, em 323 cidades em 26 estados mais o Distrito Federal. O intervalo de credibilidade é de 2,2 pontos percentuais.


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