Saúde

INDÚSTRIA DO TABACO

Anvisa fará audiências públicas sobre cigarro eletrônico em Brasília e no RJ

Agência quer colher argumentos sobre risco e potenciais benefícios do produto para redução do tabagismo

Foto: Pixabay

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizará duas audiências públicas sobre uso de novos dispositivos eletrônicos para fumar, como cigarro eletrônico e tabaco aquecido.

A ideia é que a primeira audiência ocorra em Brasília, no dia 8 de agosto. A segunda, no Rio de Janeiro, não tem data prevista.

A sugestão para realizar um dos debates no Rio de Janeiro foi apresentada por diversas entidades contrárias à indústria do fumo, como a ACT Promoção da Saúde.

A área responsável por registro de produtos fumígenos (GGTAB) fica na capital fluminense. As entidades também citaram que a maioria dos estudiosos sobre o tema teriam mais facilidade em participar de uma audiência fora de Brasília.

A diretora Alessandra Bastos propôs que apenas um debate fosse realizado, mas venceu a proposta pelas duas audiências, aceita pelos outros três diretores presentes em reunião nesta semana.

O relator do processo, diretor Renato Porto, disse que o debate será aberto para fala de qualquer interessado. A ideia, afirmou, é acumular argumentos científicos sobre riscos ou potenciais benefícios do uso destes novos dispositivos.

Entidades contrárias à indústria defendem que os novos produtos podem atrair consumidores mais jovens ao tabagismo. Já o setor produtivo diz que se trata de uma alternativa menos nociva à saúde dos usuários do que cigarros tradicionais.

O diretor-relator ressaltou que a agência ainda não está tratando do mérito sobre uso do produto.

O presidente da Anvisa, William Dib, disse que, apesar de “combater o tabaco” durante toda a sua trajetória profissional, não poderia ignorar que novos dispositivos são largamente comercializados no mercado ilegal. “O problema existe e a agência precisa se posicionar”, afirmou. “Não queremos fazer proselitismo econômico. Mas não podemos fingir que aqui do lado não há o cigarro eletrônico”, concluiu.

Apenas uma empresa se manifestou durante a reunião, a Philip Morris. O representante da companhia disse que o fato de “ser um tema complexo” não pode travar o debate. Lembrou ainda que a última ação da Anvisa sobre o assunto foi feita há mais de 1 ano, em painel científico realizado em Brasília. Disse também que, ao não regular o assunto, a agência perde oportunidade de fiscalizar os novos produtos e educar consumidores.

A Anvisa formalizou no começo de junho um Termo de Abertura de Processo (TAP) sobre a avaliação dos impactos à saúde decorrentes do uso de dispositivos eletrônicos para fumar. A ideia é avaliar a necessidade de alterações na RDC 46/2009. O texto proíbe a comercialização, a importação e a propaganda destes produtos.


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