Saúde

Ministério da Saúde

Acordo com a indústria atinge cerca de 50% dos alimentos com alto teor de açúcar

Biscoitos e produtos lácteos terão maiores metas de redução: 62,4% e 53,9%, respectivamente

rotulagem
Crédito: Agência Brasil

O ministro da Saúde, Gilberto Occhi, anunciou nesta segunda-feira (26/11) assinatura de acordo com a indústria para redução de açúcar em alimentos e bebidas.

Segundo informações da pasta, serão atingidos produtos enquadrados em cinco grupos, que representam 87% do mercado: bebidas adoçadas; biscoitos; bolos prontos e misturas para bolo; achocolatados em pó e produtos lácteos.

Dentro deste universo, 1.147 produtos (47,8% dos atingidos) terão de se adequar às novas regras até 2022. A ideia é eliminar 144 mil toneladas de açúcar em quatro anos. O número representa 2% do uso de açúcar usado pela indústria nos alimentos que fazem parte do acordo.

A medida segue moldes de acordo feito para redução de sódio, feito em junho de 2017, que já retirou 17 mil toneladas da substância, segundo o governo.

O monitoramento da redução será feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A primeira análise está prevista para 2020, com metas parciais que devem ser cumpridas.

O ministro da Saúde afirmou que, ao final das análises, serão elaboradas listas com produtos fora dos parâmetros. A medida atingiria a credibilidade de empresas que descumprirem o acordo, mas não há penalidade prevista pelo governo, disse Occhi.

O ministro ainda afirmou que o acordo não permite a substituição de açúcar por outra substância que torne os sabores mais atrativos. O governo diz que 64% do açúcar ingerido no Brasil é adicionado pelo próprio consumidor, para adoçar bebidas, por exemplo.

Os biscoitos e produtos lácteos terão os maiores percentuais (62,4% e 53,9%, respectivamente) de meta para redução de açúcar. A meta para bolos é de até 32,4% e para as misturas para bolos, até 46,1%. Achocolatados, até 10,5%, e até 33,8% de bebidas açucaradas.

Indústria

Representantes da indústria presentes no anúncio afirmaram que não é correto vilanizar alimentos por altos índices de obesidade ou outras doenças crônicas. Para eles, trata-se de problemas multifatoriais, que passam inclusive por questões genéticas. Eles afirmaram que não foi feita análise de impacto econômico sobre a redução de açúcares e que parte do mercado já está adaptada ao acordo.

Fazem parte do acordo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães e Bolos Industrializados (ABIMAPI) e a Associação Brasileira de Laticínios (Viva Lácteos).

Eficácia questionável, diz ACT

A diretora-geral da ACT Promoção da Saúde, Paula Johns, disse serem questionáveis acordos voluntários da indústria com o governo. Para ela, a medida pode dar a impressão de que alimentos considerados ultraprocessados passariam a ser saudáveis.

Johns disse que o acordo pode ser positivo, se a indústria estiver reconhecendo que comercializa produtos pouco saudáveis, ou negativo, se servir de “cortina de fumaça” para debates mais importantes. Ela citou como prioridade para a alimentação saudável a decisão que a Anvisa deve tomar sobre rotulagem nutricional de alimentos. Também destacou o debate sobre tributação de bebidas adoçadas.


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