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No Brasil, assédio sexual perpetrado por cliente é mais comum do que no mundo

Pesquisa da IBA identificou que risco é 14% maior do que na média global. No mundo, uma em 3 advogadas já sofreu assédio

Crédito: pixabay

As advogadas e advogados brasileiros têm 14% a mais de chances de serem assediadas sexualmente por um cliente do que a média mundial. As mulheres são os alvos preferenciais de assediadores.

No mundo, uma a cada três mulheres afirmou já ter sofrido algum tipo de assédio sexual no trabalho. Em contrapartida, entre homens, a proporção cai para um a cada 14.

A conclusão é da pesquisa Us Too? Sexual Harassement in the Legal Profession, feita pela International Bar Association (IBA). O estudo entrevistou 129 profissionais brasileiros do Direito, incluindo homens e mulheres.

Os pesquisadores, no total, entrevistaram 6.980 pessoas, de 135 países, que trabalham no Direito para tirar conclusões sobre o tema. Do total de entrevistados,  67% são mulheres.

No caso do bullying no trabalho, uma a cada duas mulheres já foi vítima dessa prática. Entre os homens, um a cada três diz já ter sofrido bullying. Ainda no panorama mundial, 75% das vítimas de assédio sexual não reportam os casos. A principal razão, segundo a pesquisa, é o medo da repercussão no ambiente de trabalho.

O estudo mostra que 57% das vítimas de bullying também não reportam os casos. Além disso, 53% dos ambientes de trabalho dos profissionais entrevistados tinham algum tipo de política contra assédio e bullying e 22% dos advogados e advogadas passaram por treinamento sobre como lidar com esses casos.

Outro dado identificado pela pesquisa é que 65% das vítimas de bullying pensam em largar ou já saíram de seus empregos em decorrência desta prática. No caso do assédio sexual, 37% das vítimas saíram ou pensam em largar o emprego.

Em comparação aos outros países, a proporção de advogados e advogadas que já sofreram assédio sexual ficou na média global. De todos os profissionais brasileiros e brasileiras, praticamente 22% já sofreram assédio sexual. Números de países como Estados Unidos, Austrália e África do Sul estão piores que os brasileiros. As porcentagens de profissionais que sofreram assédio sexual são respectivamente 32,6%, 29,6% e 27,5%.

Média de assédio sexual de profissionais do Direito

No caso do bullying, a média brasileira é de 45%. Ou seja, quase metade dos profissionais que foram entrevistados já sofreu com esse tipo de ação. A média mundial está em 43%.

A pesquisa também identificou que somente 35% do entrevistados no Brasil afirmaram que o ambiente de trabalho tinha algum tipo de política contra o assédio.

O número é inferior à média global de 53%. Além disso, somente 18% dos entrevistados brasileiros afirmaram que tiveram algum tipo de treinamento para lidar com essas situações.

Os entrevistados do Brasil também dizem, mais da metade dos questionados, que as iniciativas de prevenção das empresas que possuem algum tipo de política contra o assédio são insuficientes.


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