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Lula livre e as eleições municipais

Ex-presidente tenta reconstruir PT e polarizar com Bolsonaro

Lula
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva / Crédito: Ricardo Stuckert

Empenhado em reorganizar o PT, Luiz Inácio Lula da Silva está escalado para se converter no potencial puxador de votos de candidatos do partido às prefeituras das capitais e cidades médias. 

A presença do ex-presidente nos palanques (e na propaganda de TV) é vista por aliados como decisiva para nacionalizar disputas em praças nas quais o pleito municipal ganha contornos de polarização com o governo de Jair Bolsonaro e atores de centro, como PSDB e DEM.

Petistas têm nas urnas de outubro a missão de evitar uma reedição da fracassada jornada eleitoral de quatro anos atrás, quando representantes da legenda foram apeados da gestão das principais cidades brasileiras — elegeu prefeito apenas em Rio Branco entre as capitais e perdeu 60% das prefeituras que administrava, despencando do terceiro para o décimo lugar no ranking de partidos.

O desempenho em 2020 é fundamental para o próximo obstáculo que o partido terá, em 2022, quando as novas regras da cláusula de barreira entram em vigor. Para vencer essa etapa, Lula defende o envolvimento dos principais nomes petistas na corrida eleitoral ao fazer uma convocação geral de pré-candidatos com maior recall de votos. 

Ao mesmo tempo em que precisa zelar pela sobrevivência do PT, o ex-presidente deve sinalizar a partidos aliados (como PSOL, PCdoB, PDT e PSB) com concessões regionais a fim de mantê-los na órbita petista para maratona presidencial daqui a 2 anos. Nada indica, contudo, que surjam coalizões amplas no primeiro turno. 

No mapa estratégico do PT, estão em destaque São Paulo e capitais do Nordeste. A eleição paulista, avalia Lula, é a mais “nacional” em razão da ampla cobertura midiática e da dimensão de seu colégio eleitoral. Já as disputas nordestinas são terrenos férteis para a retomada do discurso lulista focado na seara econômica. Salvador, Fortaleza e Recife estão na dianteira dessa estratégia e terão especial envolvimento do ex-presidente. 

Os limites do engajamento de Lula na eleição devem ser modulados pela performance de sua defesa na batalha judicial que trava com a operação Lava Jato. Se o STF declarar Sérgio Moro suspeito para julgar suas ações, o ex-presidente terá musculatura para percorrer o país dizendo-se vítima e ganha força para capturar parte do eleitorado para seu projeto político enquanto aguarda o desfecho dos processos em que é acusado de crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.


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