Análise

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Chuva antecipa campanha e põe gestão Covas na berlinda

Adversários deixam silêncio adotado durante tratamento médico do prefeito de São Paulo e atacam governo

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Crédito: Paulo Pinto/ FotosPublicas
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A chuva que parou São Paulo no início da semana antecipou a largada da campanha para a sucessão municipal. Potenciais candidatos à prefeitura que mantinham discrição nas críticas à administração de Bruno Covas (PSDB) abandonaram o silêncio obsequioso em respeito à convalescença do tucano e partiram para o ataque.

A despeito do volume recorde de água em 37 anos, eventuais falhas de gestão da capital no combate e prevenção às cheias entraram no radar do eleitorado muito antes do que esperavam os operadores políticos, que desenhavam um calendário mais curto para o embate eleitoral.

Com a pressão dos paulistanos, expressa em especial na abundante cobertura de televisão e nas redes sociais, praticamente todos os postulantes ao Executivo se posicionaram, criticando o governo e apontando inconsistências no governo de Covas, que se recupera de um câncer no trato digestivo.

Andrea Matarazzo (PSD), Márcio França (PSB), Filipe Sabará (NOVO), Joice Hasselmann (PSL), Guilherme Boulos (PSOL) e Fernando Haddad (PT) usaram seus perfis para questionar ações preventivas e de zeladoria que poderiam, supostamente, reduzir o impacto das inundações. Marta Suplicy (sem partido) pautou colunistas repercutindo ações de seu mandato na área. 

Outro personagem da corrida pela prefeitura, o apresentador José Luiz Datena (sem partido) aproveitou o colapso urbano para impulsionar seus índices de audiência na TV — alcançando a vice-liderança nos seus horários, segundo relatos preliminares. Sua postura comedida e até elogiosa às gestões municipal e estadual chamou a atenção dos telespectadores e internautas. Datena tem até 4 de abril para se filiar a algum partido se quiser concorrer. Ele tem convites de várias siglas, a exemplo de Marta.

As manifestações públicas dos pré-candidatos revoltaram apoiadores da reeleição de Covas. Nos grupos internos do PSDB paulistano, correligionários do prefeito reagiram com especial beligerância às manifestações dos ex-aliados Matarazzo, França e Sabará. Os dois primeiros foram acusados de “oportunismo”. O tom foi mais agressivo em relação a Sabará, que publicou nas redes uma lista de “soluções para a drenagem da cidade”. Ex-secretário de Desenvolvimento Social, ele foi chamado de “canalha” nos mesmos fóruns de troca de mensagens.

Ex-secretário paulista de Meio Ambiente e entusiasta do debate sobre as mudanças climáticas, Covas não esperava que um desastre natural de tamanha proporção pudesse apressar a discussão sobre o futuro político de São Paulo, deslocando o olhar do cidadão e os holofotes da cobertura midiática para os contratempos da sua administração, que será julgada nas urnas em 4 de outubro. Caberá a ele, cuja popularidade vinha em ascensão nas últimas pesquisas, resguardar seu legado e propor uma agenda de infraestrutura urbana que conquiste a confiança do paulistano para as próximas temporadas de chuvas. Os adversários, como ficou evidente, não terão clemência. 


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