Análise

RISCO POLÍTICO

Em meio à aprovação baixa, Bolsonaro tem semana auspiciosa na política

Ao ceder comando de sua agenda ao Centrão, presidente obtém vitórias que devem contar nas eleições

Jair Bolsonaro assinou nomeação de André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal nesta quinta-feira (2/12) | Foto: Alan Santos/PR

Uma semana cheia de notícias negativas para a economia brasileira: o país entrou oficialmente em recessão técnica, a inflação persiste e casos de uma nova supervariante da Covid-19 trouxeram incertezas sobre os rumos da pandemia.

No campo político, Jair Bolsonaro entrou oficialmente para o Centrão, ao se filiar ao Partido Liberal (PL), e obteve algumas vitórias. Entre elas, está a aprovação do ‘”terrivelmente evangélico” André Mendonça para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), rompendo boicote de quatro meses do Senado para analisar a indicação feita pelo presidente. Assim, cumpre promessa com rebanho que pode somar 30% do eleitorado brasileiro.

Bolsonaro também conquistou sinal verde do Congresso para o Auxílio Brasil, que deve ser a vitrina da sua campanha para a eleição e já intitulado pelo PL como maior programa social do mundo. O Congresso, com muita dificuldade, e uma articulação capenga do governo avalizou o principal item para garantir o pagamento desse benefício: a revisão do indexador do teto de gastos.

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Para muitos, representou o fim do teto de gastos, importante âncora fiscal que vem ruindo para atender as demandas eleitorais de Jair Bolsonaro e de sua base. Assim, o presidente poderá pagar os prometidos R$ 400 a 17 milhões de famílias antes do Natal.

É um pacote de final de ano politicamente auspicioso para Bolsonaro, que só está sendo possível porque o presidente cedeu o comando de sua agenda aos operadores do Centrão, jogando para escanteio sua equipe econômica. E o presidente, com aprovação em baixa (assinantes JOTA PRO Poder têm acesso ao agregador eleitoral e ao agregador de popularidade presidencial) e muitos problemas econômicos, vai precisar desse grupo se quiser ser competitivo nas eleições de 2022, sobretudo com Sergio Moro mirando seu eleitorado.

A análise completa de Fábio Zambeli, analista-chefe do JOTA, está disponível no Instagram do JOTA: @jotaflash