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Greve dos servidores

Um café, por gentileza

O jeito de pedir pode render desconto e fortalecer amizades

Perto da Torre Eiffel, Paris: “un café S’il vous plaît”. Numa apertada viela de Veneza: “un café per favor”; ou numa cafeteria brasileira: “um café, por gentileza!”. O jeito de pedir um café pode render desconto e fortalecer amizades.

— Por mais agitado que o cliente chegue à cafeteria, quando ele se depara com aquela informação,  dizendo que o café pode ser pedido ‘por gentileza’, às vezes eles volta à porta e entra novamente para refazer o pedido — conta Juliana Pedro, proprietária do Café Ernesto, na zona Sul de Brasília.

Não faz muito tempo e a rede de cafeteiras São Braz divulgou, no Nordeste, uma campanha informando que quem pedisse um espresso “por gentileza” pagaria metade do preço.

Enquanto escrevia esse texto, lembrei de uma canção, na sua voz de Marisa Monte, doce com um café encorpado, subindo o tom para lembrar que a poesia do “Profeta Gentileza” (Cafelândia-SP 1917 — Mirandópolis-SP 1996), tinha sido borrada da parede:

“Apagaram tudo

Pintaram tudo de cinza

Só ficou no muro tristeza e tinta fresca

Por isso eu pergunto a você no mundo

Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria”

Para ser gentil, o idioma não causa barreira nem cria dificuldades no entendimento. É só abrir a porta da cafeteria, estender a mão de sapece um “si vú plé” que com toda a falta de boa vontade dos franceses de falarem outra língua que não seja o idioma de Napoleão, o pedido será aceito e um café de qualidade servido.

— Não é tanto pelo valor do desconto, é pela forma como você cria um espaço de harmonia para receber o cliente — adverte o barista Pablo Santiago, da Nucha, charmosa cafeteria no bairro Palermo, em Buenos Aires — Desse jeito até brasileiros e argentinos se entendem, brinca.

Café Pendente

Outra ideia de se praticar gentileza nas cafeterias é o projeto trazido da Europa e que tem por objetivo deixar um café pago para o próximo cliente, com um simpático recadinho. Dia desses, numa cafeteria no Recife, peguei um bilhete que dizia: “Tome um café, escute uma música, leia um livro”. Sentei-me na poltrona da cafeteria, tomei três espressos; coloquei o fone de ouvido, apertei o play para ouvir o americano, Keb’ Mo’; enquanto folheava “En el café de la juventud perdida”, meu primeiro contato com o Nobel de Literatura, Patrick Modiano.

Café & Conversa


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