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Greve dos servidores

Cafeína, a droga mais lícita do planeta

Nosso tradicional pingado, misturado com irreverência, era a droga do cartunista do Charlie Hebdo

Crédito: Romoaldo de Souza

O mundo está ficando mais chato! Mais sisudo. O mundo está perdendo a graça. Qualquer comentário, qualquer opinião é cercada de uma aura policialesca para não melindrar ninguém. O episódio do ataque à redação do Charlie Hebdo, em Paris, é exemplo bem cristalino disso. Alegria pode ser sinal de desvirtuamento.

Em uma das últimas entrevista que assisti do cartunista Cabu, um dos mortos no atentado à revista — ele era o que usava óculos redondos, feito John Lennon e franja parecida com a de Angela Merkel — pois Cabu foi questionado de onde vinha tanta inspiração. “Café au lati”. E completou: “Ma came”. Vejam só, o nosso tradicional pingado e misturado com irreverência era a droga de Cabu.

Voltando ao patrulhamento ideológico, eu vou logo sapecando: cafeína é um vício. Causa dependência e pode levar à loucura. Só espero que o pessoal politicamente correto não me enquadre antes de ler esse texto por inteiro. “Caféine es ma came” e eu não preciso de cota nas universidades públicas, não necessito de bolsa-droga, não quero ser internado nessas clínicas de recuperação. Quero café de qualidade para combater o mau humor do planeta.

– Um espresso, por favor – vou pedindo!

Estudos do National Institutes of Health (EUA) comprovam que as pessoas que bebem — em média — quatro xícaras de café por dia, têm menos chance de cair em depressão. É que, segundo a pesquisa, a cafeína funciona como um antidepressivo suave, aumentando a ação da dopamina, neurotransmissor que produz sensação de bem-estar.

– Um café coado, na prensa francesa, por gentileza – peço mais um, enquanto me delicio com as capas da Charlie Hebdo!

A cafeína, a droga mais popular do planeta, mais lícita e mais consumida, foi descoberta por acaso. Segundo a lenda, há pouco mais de mil anos, o pastor Kaldi, que morada nas montanhas da Absínia, hoje Etiópia, descobriu que as cabras ficavam mais “elétricas” depois que mascavam uma certa frutinha vermelha.

De lá para cá a droga embalou sonhos, inspirou gênios. Ou você acha que Beethoven compôs a 5ª Sinfonia só porque era “portador de necessidades especiais?”. O alemão, assim como o conterrâneo Johann Sebastian Bach; os franceses Honoré de Balzac e Napoleão Bonaparte dizia que a bebida lhe dava energia e inspiração. Não é pra menos. A cafeína é estimulante natural, excitante e inspiradora de grandes momentos da humanidade.

– Une café, se il vous plaît! Afinal, o café chegou ao Brasil depois de uma noite de amor do alferes Francisco de Melo Palheta e com a mulher do governador da Guiana Francesa, madame d’Orvilliers. Pura transgressão, pura transpiração…

 

Café & Conversa


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