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Greve dos servidores

Café perde qualidade mais rápido na garrafa térmica. Fuja!

Em menos de uma hora não há mais sabor. Com açúcar, é convite à azia

Quem nunca chegou numa repartição pública, num escritório de advocacia ou mesmo numa concessionária de automóveis importados e foi recebido por um cafezinho de garrafa térmica?

Em Brasília, a Praça dos Três Poderes — Congresso Nacional, Supremo Tribunal Federal e Palácio do Planalto — está repleta de terceirizados cuja função é carregar encardidas garrafas térmicas pra cima e pra baixo, como se conduzissem troféus de um campeonato da terceira divisão.

Aqui, vou abri parênteses para contar um fato que se passou com um amigo do Recife. Em 2011, o Santa Cruz Futebol Clube “sagrou-se” vice-campeão da série D, num jogo com quase 40 mil torcedores no Estádio do Arruda. No dia seguinte à conquista, o torcedor tricolor em pauta, ganhou de presente uma garrafa térmica, com o brasão do time coral e o lema: “Vice-Campeão. Não importa a divisão!”. Provocação ou não, o torcedor do Santinha, como o time pernambucano é conhecido, passou a usar a térmica como jarro de flores.

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Voltando aos tomadores de café, não precisa tanto. Se for usar a térmica, que seja por pouco tempo. Agora, que o café passado na hora em que vai ser tomado é sempre mais saudável, disso não tenha dúvida.

É bom lembrar salientar que o café ali, trancado, horas e horas, dentro de uma garrafa térmica, vai passando por um processo químico de acelerada oxidação, que em menos de uma hora já não tem qualquer sabor. O pior é quando as surradas térmicas trazem a inscrição: “café adoçado”. Café com açúcar, preso na térmica é convite feito à azia.

— As reações químicas do café têm sua velocidade duplicada a cada aumento de 10ºC, acima do meio ambiente, que está em média a 25ºC. Como consequência, dentro da térmica, a 50ºC, o café vai se oxidar duas vezes mais rápido — lembra o engenheiro químico Ensei Neto, um dos maiores entendedores de café do país.

É claro que o processo de educação para o café é demorado, mas bem que os abonados escritórios de advocacia poderiam dar um passo à frente, transformar as garrafas térmicas em floreiras e passar para métodos mais saudáveis de servir café. Quem sabe um café feito na hora, para agradar o cliente aperreado que chega em busca de solução e sairá com sabor marcante de um café de qualidade.

Sempre que escrevo sobre café de garrafa térmica, lembro-me de uma máxima que ouvi de um produtor rural, no Sul de Minas Gerais: “café cru tem anos de vida. Café torrado, em grãos, algumas semanas. Café moído, no máximo horas. Depois de passado, o café é pra ser servido no mesmo instante”.

Café & Conversa.


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