Lifestyle

Greve dos servidores

Café de supermercado

Tem algum que presta?

Se você está entre aquelas pessoas com olham com desconfiança para a gôndola de supermercado, quando procura café, você não está sozinho. Se a bebida que está em segundo lugar no mundo, só perdendo para água em termos de consumo, é mal tratada em muitas cafeteiras, pode imaginar o que se pode esperar do departamento de compras de grandes redes de atacado e varejo.

— As opções são muitas e variadas. E quase sempre, não temos especialistas provadores para apontar o que representa — de olho no custo benefício — um café de qualidade, um café gourmet, certificado — conta um gerente de supermercado de Brasília. Por sorte, os amantes da boa xícara de café, aos poucos, estão trocando o quesito preço (que o gerente chama de custo benefício) por sabor, aroma e referência.

É claro que a procura do consumidor mais exigente por bons cafés, de certa forma, instigou cooperativas e torrefadoras a aprimorarem a qualidade dos grãos que colocam na gôndola do supermercado, mas ainda assim são cafés que estão no nível intermediário, nem é aquele café que tem gosto de estopa molhada, de carvão nem tão pouco é café para marcar o seu paladar por boas horas.

Esse hiato na qualidade do café brasileiro está, por assim dizer, sendo reduzido, mas tudo é uma questão de muito tempo, muito treinamento e uma necessária campanha de marketing para que os brasileiros deixem de lado a máxima, segundo a qual, o melhor café do Brasil é todo ele para exportação. Porque não é.

Semana passada, comprei numa loja virtual um café produzido em Patrocínio,  Cerrado de Minas Gerais. É um daqueles grãos que você, já na hora do preparo, sente um cheiro de jasmim. Na primeira prova, o sabor tem um leve toque de caramelo. Não é muito ácido, tem aroma intenso e bem encorpado. Um café equilibrado.

+CAFE: Leia todas as colunas do JOTA sobre a bebida

+JOTA: Coluna sobre jazz toda segundas-feira. Conheça

Você pode até perguntar: “mas o café do dia a dia precisa ter todas essas características”. Para mim, sim. Agora, nada impede que você faça a “migração” gradual. Aí é possível começar pela gôndola do mercado. A primeira exigência é que tenha um selo de certificação. A Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) só certifica o que analisa. É um bom começo para você fazer esse processo “migratório”.

Mas eu já gostaria de advertir: esse é um caminho sem volta. À medida que você vai acostumando seu paladar a tomar um café intermediário, nunca mais vai querer voltar a consumir café ruim. E no dia em que você provar um café de qualidade, vendido das casas e empórios especializados, será como uma luz que se acende e nunca mais você vai querer apagar.

Café & Conversa


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito