Legislativo

Lava Jato

Oposição irá ao STF para impedir relatório do COAF sobre Glenn Greenwald

PF teria pedido informações sobre a conta bancária do jornalista que divulgou supostas mensagens privadas de Moro

Glenn Greenwald
Gleen falou na Comissão de Direitos Humanos da Câmara no último dia 9. Crédito: reprodução

Em mais um desdobramento da investida contra o ministro da Justiça Sérgio Moro e integrantes da força-tarefa da Lava Jato, a oposição decidiu acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar travar um suposto pedido da Polícia Federal para que o Conselho de Controle de Atividade Financeiras (COAF) levante detalhes das movimentações financeiras do jornalista Glenn Greenwald.

O pedido da PF teria sido feito no inquérito aberto para identificar os responsáveis por supostos ataques hackers aos celulares de Moro e de procuradores da República, que tiveram conversas privadas vazadas e divulgadas pelo site The Intercept Brasil, de Greenwald.

Marido do jornalista, o deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) conta que ele e sua família souberam do requerimento da Polícia Federal pela imprensa e que receberam “com espanto” a notícia, publicada primeiramente pelo site O Antagonista.

“Trata-se da quebra de sigilo de um jornalista que paga suas contas e não fez nada de errado. Não existe nenhuma investigação em curso porque não existe nenhuma evidência contra ele, a não ser fake news levantadas sobre compra de mandato. E para o COAF estar fazendo isso, com certeza é intimidação ao jornalismo que o Intercept está fazendo no último mês e meio. Se for verdade, com certeza é uma movimentação de intimidação”, critica.

A líder da Minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), afirma que o mandado de segurança está na fase final de redação e que espera que o STF não permita nenhuma violação aos direitos do jornalista.

“Não podemos aceitar que isso ocorra em um Estado democrático de Direito. A liberdade de imprensa é um princípio básico e não pode ser ferida, ainda mais neste caso, que não há absolutamente nenhuma evidência contra o jornalista”, diz.

Em audiência na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na terça-feira (3/7), Moro foi questionado diversas vezes se procedia a informação de que o COAF estava preparando um relatório sobre o jornalista. O ministro, porém, afirmou que não participa das investigações e que a pergunta deveria ser feita ao “órgão certo”.

Moro e procuradores, especialmente da força-tarefa da Lava Jato, estão no centro de uma polêmica após a divulgação do Intercept Brasil de mensagens atribuídas ao ex-juiz e aos investigadores que mostrariam tratativas envolvendo processo da operação, como o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa do petista usa o vazamento para tentar garantir a soltura do ex-presidente e reverter a condenação no caso triplex, que está em fase recursal no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O petista diz que as mensagens confirmam que houve um conluio entre MP e Moro e que o magistrado não julgou seu caso com imparcialidade.

O atual ministro da Justiça, por sua vez, afirma que “causa revolta que se tente construir um enredo com mensagens, cuja autenticidade não se pode reconhecer, a partir de fatos que envolvem um processo judicial público e que só atestam a correção e isenção com que o ministro atuou enquanto juiz federal na Operação Lava Jato”.

Além disso, não confirma a autenticidade de mensagens “obtidas de forma criminosa e que podem ter sido editadas ou adulteradas total ou parcialmente”.

“Reitera-se a necessidade de que o suposto material, obtido de maneira criminosa, seja apresentado a autoridade independente para que sua integridade seja certificada”, ressalta Moro.

O mandado de segurança não foi impetrado porque as siglas de oposição ainda tentam a adesão dos partidos de centro para dar mais força ao pedido.


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