Justiça

Operação Lava Jato

Torquato Jardim rebate crítica de procurador da Lava Jato

Ministro da Justiça chamou de ‘infundadas’ queixas feitas por Athayde Ribeiro Costa

Brasília - O ministro da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União (CGU), Torquato Jardim, durante palestra no 89º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC). (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Justiça, Torquato Jardim, tachou de infundadas” as críticas do procurador da República em Curitiba Athayde Ribeiro Costa sobre a redução do efetivo da Polícia Federal na força-tarefa da Lava Jato. As declarações do ministro foram feitas nesta quinta-feira (27/7) em café com jornalistas no Palácio da Justiça.

“A crítica é infundada. Basta olhar o meu passado profissional, nos dois ministérios, e vocês não vão encontrar nenhum gesto de crítica ou desapreço à Lava Jato”, afirmou Jardim. “Quanto a eu não ter feito visita social não me constava do protocolo do ministério que eu devesse fazer visita oficial à Lava Jato. Se ele acha necessário, vamos combinar um café. ”

Em entrevista sobre a 42ª fase da operação, deflagrada também nesta quinta, o procurador da Lava Jato criticou Torquato Jardim por mudanças na Polícia Federal (PF) em Curitiba que afetaram a força-tarefa da operação. De acordo com Ribeiro Costa, o ministro da Justiça não teria procurado saber quais são as necessidades da operação.

“Sequer consultou a força-tarefa sobre o quanto de investigação tinha e o quanto de necessidade de efetivo havia. É uma responsabilidade dele essa diminuição, e temos que fortalecer a Polícia Federal”, afirmou o procurador.

Aos jornalistas, o ministro disse que o contingenciamento de recursos da PF foi de R$ 400 milhões, mas que serão liberados R$ 70 milhões por mês até o fim do ano. Para ele, o valor pode implicar num “processo seletivo de ações”, mas que deve ser suficiente para realizar todas as operações necessárias e, algumas, “não em sua extensão total, mas parcial”.

“O constrangimento de orçamento é notório. Não há corte de orçamento, há contingenciamento”, disse.

Sobre a permanência do atual diretor da PF, Leandro Daiello, no cargo, Torquato garantiu que “os dois” estão comprometidos com a instituição, “trabalhando juntos nesse plano da nova Polícia Federal integrada com as outras unidades”.

Segundo Jardim, nunca houve prazo para saída de Daiello. “Deadline, se houver, quem dá é o dono da caneta, o presidente Michel Temer.”

Tornozeleiras

Torquato Jardim admitiu que há uma escassez de tornozeleiras eletrônicas – a que classificou de “solução mais razoável no curto prazo” do sistema penitenciário dependendo da natureza do crime, do passado e do comportamento do condenado.

Para o ministro, as tornozeleiras permitem “a presunção de que [os condenados] não voltarão a delinquir, que podem ir então para a prisão domiciliar com tornozeleira e desde já se reintegrarem socialmente à família aos amigos e o próprio ambiente de trabalho”. Na visão de Jardim, o uso da tornozeleira eletrônica é “muito mais útil” no processo de reintegração do que o isolamento nos presídios.


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