Justiça

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Rodrigo Janot busca cargo na alta cúpula do MPF

Em aceno a Raquel Dodge, ex-PGR diz que não fará oposição sistemática e respeitará chefia do Conselho Superior

Rodrigo Janot e Raquel DodgeFoto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em comunicação interna, o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot informou nesta terça-feira (17/4) aos colegas que está disposto a buscar uma vaga no Conselho Superior do Ministério Público Federal, a alta cúpula da instituição. A eleição para o colegiado será no dia 22 de maio.

O órgão trata de questões administrativas, decidindo por exemplo sobre deslocamentos de procuradores e formação de força-tarefa. Na carta, Janot diz que pensava em se aposentar ao deixar o cargo, mas que ficou na ativa diante dos injustos ataques recebidos pelo MPF.

O ex-PGR ainda faz um aceno a Raquel Dodge, sua sucessora, dizendo que não fará oposição sistemática e que contribuirá com qualquer chefia da instituição. Dodge é quem comanda o Conselho. Se confirmado, o cargo confere status interno ao ex-chefe do MP internamente. Janot atualmente é subprocurador-geral da República atuando no Superior Tribunal de Justiça.

Janot, que foi responsável por deflagrar as primeiras investigações contra políticos com foro na Lava Jato, deixou a chefia do MPF desgastado em meio a reviravolta na delação da JBS, depois que novos áudios foram entregues pelos colaboradores indicando jogo duplo de um ex-auxilar do procurador nas negociações do acordo. A investida na JBS ainda rendeu um embate público com o presidente Michel Temer e desgastes no Supremo Tribunal Federal.

Leia a íntegra da manifestação de Janot

Estimados Colegas, Prezadas Colegas,

Após muito refletir, conversar com amigos e me aconselhar com pessoas nas quais confio, resolvi submeter meu nome ao exame dos Colegas em busca de uma das vagas de nosso Conselho Superior.

Na qualidade de ex-Procurador-Geral da República, recém-egresso do cargo, devo explicar a opção pela disputa de cadeira do CSMPF. Quando ainda exercia ambos os mandatos confiados pelos Colegas à frente da Instituição, planejava aposentar-me ao final do segundo deles.

No entanto, já se disse sabiamente, a vida é aquilo que acontece enquanto esboçamos o futuro. Acompanhando os fatos recentes envolvendo nossa Instituição, em especial os ataques desleais por ela sofridos, pareceu-me mais acertado permanecer na ativa, somando esforços para defendê-la.

Seria avesso à minha natureza transformar essa contingência da vida num ocaso funcional oscilando entre o morno e o indiferente. Logo agora, nesse momento em que todos temos que contribuir para a virada na história brasileira, nenhum de nós pode se omitir. Enquanto estiver no MPF, também eu não tenho tal direito.

O MPF é parte de mim e de uma longa história. Com a experiência acumulada em três décadas de exercício das atribuições dos cargos de Procurador da República, Procurador Regional da República e Subprocurador-Geral da República, além de presidente da ANPR, passei pelas mais diversas funções na carreira: fui membro de Câmara de Coordenação e Revisão, Diretor da ESMPU, Secretário-Geral do MPF, membro do Conselho Superior, em vaga eleita pelo grande colégio, e, Procurador-Geral da República, durante dois mandatos.

Sinto-me, assim, ainda em condições de contribuir para o desenvolvimento de nossa instituição e para o contínuo aperfeiçoamento de nossa carreira. Não diviso lugar melhor para submeter minhas ideias à classe, senão no nosso órgão deliberativo, por excelência.

Vejo o CSMPF como um dos espaços mais democráticos e fecundos para as grandes discussões de interesse do Ministério Público Federal e de seus membros.

Se vier a ocupar uma das vagas no nosso Conselho pretendo exercer meu mandato a partir do diálogo com todos, sempre no intuito de melhor compreender as questões que afligem membros e servidores.

Serei combativo, como é da minha índole, mas serei também leal. Sem oposição sistemática, saberei contribuir com qualquer chefia da instituição, sempre que, do meu ponto de vista, suas propostas atendam ao interesse superior do País, ao da nossa Casa e ao ethos institucional.

Da mesma forma, quando me defrontar com opiniões divergentes, não permitirei que os dissensos extrapolem o campo das ideias. Nessa linha de conduta, lanço-me ao debate franco e aberto, por acreditar que é pela dialética democrática e plural que conseguiremos construir caminhos sólidos e consensuais, de modo a preservar sempre o sentido de unidade e de pertencimento de todos e todas à Instituição.

Ao longo das próximas semanas, trarei propostas e ideias que pretendo defender no CSMPF, caso venha a ser eleito.

Ao encerrar, lembro da lição de Abraham Lincoln sobre vencer: “O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou no caminho.”

Forte abraço!

Rodrigo Janot


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