Justiça

Caças suecos

Justiça Federal quer apurar suposta contradição entre Palocci e Jobim

Ex-ministro da Fazenda revelou reunião que não foi mencionada por ex-ministro da Defesa em ação de Lula na Zelotes

Palocci assinou acordo com a PF. commons.wikimedia.org

A Justiça Federal do Distrito Federal vai apurar uma suposta contradição entre depoimentos do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda) e do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim na ação penal na qual o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é réu em investigação no âmbito da Operação Zelotes.

O juiz Vallisney de Souza autorizou que Palocci e Jobim sejam ouvidos. Na decisão, o magistrado afirma que os depoimentos já prestados pelos dois à Justiça têm pontos de discordância, o que reforça a necessidade de ambos serem ouvidos novamente.

De acordo com o magistrado, as declarações divergem no ponto em que Jobim afirmou que tinha liberdade para tomar as decisões sobre a aquisição de caças suecos e que só as comunicava para Lula, enquanto Palocci relatou ter havido um jantar entre o ex-presidente e o então presidente da França Nicolas Sarkozi sobre o tema.

“De fato, Nelson Jobim, então ministro da Defesa do Brasil entre 2007
e 2011, foi ouvido como testemunha no dia 13 de setembro de 2017, e não
mencionou que tenha havido alguma reunião que entrou pela madrugada, entre ele, o então presidente Luiz Inácio e o ex-presidente da França Sarkozi, não tendo dito nada sobre assinatura de documento ou protocolo referente ao caça mirage francês no dia seguinte à reunião, cujo documento teria ficado de posse de Nicolas Sarkozi, como afirmara o ex-ministro Palocci ao Ministério Público Federal (que também dissera ao MPF que teria já naquela ocasião teria havido “propina”)”, escreve o juiz.

Assim, faz-se necessário ouvi-los novamente, conclui Vallisney de Souza:

“Essas declarações de Antônio Palocci estão em manifesta contradição
com o depoimento da referida testemunha Nelson Jobim, que afirmara em Juízo que era ele na qualidade de Ministro que tratava com exclusividade do assunto e que também as decisões sobre os caças eram todas dele como Ministro, e que apenas comunicava ao presidente suas decisões, não tendo havido envolvimento direto do ex-presidente Lula na aquisição dos caças”.

“Desse modo, me parece importante que, após a oitiva de Antônio
Palocci, e se mantida por ele a sua versão, sejam reperguntados ao ministro da Defesa, testemunha Nelson Jobim, sobre a referida reunião”, completou.

Nesta ação penal, Lula foi acusado pelo Ministério Público Federal pelos crimes de tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A denúncia do MPF é resultado de investigações sobre compra pelo governo federal de 36 caças suecos e sobre a aprovação no Congresso de uma medida provisória que envolveu incentivos fiscais a montadoras.


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