Justiça

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CNJ pede ao STF citação de juiz na delação da JBS

Ministro quer saber se há alguma prova ou indício contra juiz

O Conselho Nacional de Justiça pediu informações ao Supremo Tribunal Federal sobre eventuais implicações ao juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, na delação da JBS.

Em ofício, o corregedor Nacional de Justiça, João Otavio de Noronha, pede cópia de eventuais documentos comprobatórios para eventual tomada de providências.

“Tendo em vista as notícias veiculadas recentemente no contexto da delação de Joesley Batista das quais conta que o advogado Willer Tomaz afirmou ter relacionamento íntimo de amizade com o juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do DF, na qual tramitam processos relativos à Operação Greenfield – tendo insinuado que iria ajudar no processo contra a Eldorado, firma controlada pelo conglomerado JBS, indago se há nos autos que tramitam sob a relatoria de vossa excelência, alguma prova ou indício de que o referido magistrado esteja realmente envolvido no caso”, escreveu o ministro.

Em caso de afirmativo, solicito o encaminhamento de cópia dos documentos probatórios para a tomada de providência pela Corregedoria Nacional de Justiça.

Numa gravação feita de uma conversa com o presidente Michel Temer, o empresário Joesley Batista disse que conseguiu infiltrar um procurador dentro de uma força-tarefa que investigava uma de suas empresas e que também tinha influência sobre um juiz federal.

Inicialmente, aos procuradores, o dono da JBS disse que a afirmação era uma bravata, mas, depois, voltou atrás.

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Ele revelou que o advogado Willer Tomaz ofereceu foi influência no Judiciário.

Joesley Batista: Dentro dos honorários que ele pediu, cobrou, que a gente negociou, na realidade, ele incluía, dizendo que ele tinha muita proximidade a um juiz chamado Ricardo.

Procurador: Sabe o sobrenome do juiz?

Joesley Batista: Ricardo Soares Leite. Que tinha muita influência, muita amizade, que o juiz ia na casa dele. Ele foi muito claro. Disse ‘olha, com o Ricardo eu não tenho nenhum negócio financeiro. Eu sou amigo dele, a gente janta juntos, nós temos ótima relação, as nossas mulheres se conhecem e eu acho que posso influenciar’. E foi dentro desse contexto que nós contratamos.

Em troca das tratativas, ele teria pedido R$ 4 milhões para favorecer a empresa.

Juiz substituto da 10ª Vara Criminal de Brasília, Leite cuida de ação penal que investiga o ex-presidente Lula por tentativa de obstrução da Lava Jato, na tentativa de evitar a delação do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. Ele chegou a mandar suspender atividades do Instituto Lula, mas a medida foi derrubada pelo TRF1. O

OUTRO LADO

Na época da divulgação da delação, a assessoria da 10ª Vara classificou de infundada as citações e que foram tomadas diversas decisões desfavoráveis à empresa JBS.

“A 10ª Vara Federal da Seção Judiciária do Distrito Federal, especializada no processamento de feitos criminais que versam sobre “lavagem de dinheiro” e crimes contra o sistema financeiro nacional, vem a público esclarecer que, em razão de sua especialização, tramitam neste Juízo mais de 20 grandes Operações criminais, tais como LAVA JATO  (derivada da Operação Lava Jato, que tramita na 13ª Vara da Seção Judiciária do Paraná); GREENFIELD;PERFÍDIA; CUI BONO; JANUS; SÉPSIS; ZELOTES; ACRÔNIMO; SETE ERROS; ABATE; CHOQUE; ELEMENTAR/MIQUÉIAS; JAVA; MINA DA TERRA;PATRIOTA; PÍCARO; POSTALIS; SÃO CRISTÓVÃO; SWISSLEAKS; CÁLICE DE HÍGIA, BULLISH; MÉTIS; PANELA DE PRESSÃO; NAVALHA(PIAUÍ) e CONCLAVE, todas com determinante papel do Ministério Público Federal do Distrito Federal e da Polícia Federal no Distrito Federal na velocidade das investigações, mantendo-se o Juízo da 10ª Vara Federal de Brasília concentrado na análise célere dos pedidos apresentados pelo MPF e pela PF, o que resultou, fazendo referência às deflagrações mais recentes, na média de uma deflagração por semana, para as quais os Magistrados decretaram várias prisões e autorizaram busca e apreensão, condução coercitiva e quebras de sigilo bancário, fiscal e telemático em desfavor de centenas de pessoas físicas e jurídicas. Várias dessas medidas foram, inclusive, decretadas em desfavor do interesse da empresa JBS S/A, quanto à investigação que apura o recebimento de apoio financeiro do BNDES Participações S/A (BNDESPar), subsidiária integral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES (OPERAÇÃO BULLISH), bem como em desfavor da empresa Eldorado Celulose, concernente à apuração de fraudes na movimentação de recursos dos Fundos de Pensão POSTALIS, FUNCEF, PETROS, PREVI (OPERAÇÃO GREENFIELD) para os Fundos de Investimento de Participação – FIP. Todas as medidas solicitadas pelo Ministério Público Federal e/ou pela Polícia Federal foram apreciadas com brevidade e de acordo com as garantias devidas às pessoas envolvidas. Dessa forma, mostram-se infundadas quaisquer declarações do investigado JOESLEY MENDONÇA BATISTA sobre eventual interferência na condução das investigações no âmbito da Justiça Federal de Brasília, que prejudique o andamento dos processos ou influencie a independência dos magistrados que atuam na 10ª Vara.”

 


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