Justiça

Advogados da Origem: quem defende políticos nesta etapa da Lava Jato

Um chorou na condenação de Dirceu, outro aparece em escuta da PF

Crédito Luis Macedo / Câmara dos Deputados

*Atualizada às 15h de domingo 12/04

À frente da defesa do ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR), preso pela Lava Jato, João Gomes Filho marcou o julgamento do mensalão. Em 2012, ele defendeu o ex-deputado federal, Paulo Rocha. Hoje, senador pelo estado do Pará, depois de ser absolvido do esquema de venda e compra de votos da base aliada do PT. Até obter o resultado favorável ao cliente, Gomes se mostrou um advogado incansável, sem poupar atitudes passionais, como chorar – em plenário – ao assistir a condenação do ex-ministro da casa civil José Dirceu e do ex-presidente do PT, José Genoíno.

“Fiquei com medo de sair preso”, disse ele durante o julgamento do mensalão no dia em que, de maneira enfurecida, vestiu a capa preta para falar à tribuna diante de um revés no placar. O cenário de 5 votos favoráreis a Paulo Rocha na avaliação do crime de lavagem de dinheiro foi se modificando durante a sessão até chegar a um empate de 5 votos a 5. Ao ver que o cliente estava a um voto da condenação, Gomes decidiu se queixar aos ministros visivelmente irritado mas foi convencido pelos colegas a não falar. No fim, prevaleceu o desempate para favorecer o réu da pena de lavagem de dinheiro. Ele foi um dos poucos réus absolvidos no caso.

Gomes não evita polêmicas na oratória. “Que essa corte extraordinária não seja amesquinhada por preconceitos e pela voz do clamor popular. A opinião pública não é a voz da Justiça (…) pois foi ela que patrocinou os Autos de Fé na Espanha e outras atrocidades”, disse ainda durante o julgamento do mensalão. Nas conversas com jornalistas durante os intervalos da sessão, Gomes contou que ajudou a fundar o PSDB em Londrina (PR) mas se tornou “apaixonado” pelo PT, e declarou ser “fã” do ex-ministro da casa civil, e condenado, José Dirceu. Ele também foi um dos primeiros advogados a falar em recorrer à corte internacional contra o resultado do julgamento.

O advogado do ex-deputado Luiz Argôlo (SD-PA), Aluizio Lundgreen Corrêa Regis, não foi localizado pela reportagem. Ele já atuou como procurador do Estado de Alagoas. No fim do ano passado, chegou a anunciar que deixaria a defesa de Argôlo, após a divulgação de gravação de uma conversa entre ele e a ex-contadora de Alberto Youssef, Meire Poza.

Ela diz que era para combinar depoimentos. Ele disse que blefou e acusou Meire de tentar “armar” contra Argôlo. Trechos da ligação são citados na ordem de prisão do ex-parlamentar.

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+JOTAOrdem de prisão de Pedro Corrêa na Lava Jato

+JOTAOrdem de prisão de André Vargas na Lava Jato

Primo desautorizado

Depois de dizer que o ex-deputado federal Pedro Corrêa (PP-PE), preso na Lava Jato, faria delação premiada, o primo dele, Clóvis Corrêa, que se apresentou como advogado do político, foi desautorizado a falar em nome da defesa. Por volta de 4 horas desta madrugada, o advogado Michel Saliba divulgou uma nota afirmando que somente ele poderia falar em nome do ex-parlamentar e fez criticas ao comportamento do primo de Pedro Corrêa. “Ele é desembargador aposentado no Recife e disse que havia provas robustas (da Lava Jato) … Isso é um absurdo! Como ele pode saber o que tem no processo, ainda está muito preliminar”, afirmou Saliba.
Clóvis não foi localizado. Ontem, ele afirmou que iria convencer o primo, Pedro Correa, a oferecer delação premiada. O novo advogado afirma que sequer essa possibilidade foi cogitada pelo ex-parlamentar. Já Clóvis Corrêa havia afirmado que não iria mover recurso contra a prisão do primo, e defendeu a atuação do juiz federal Sérgio Moro.
“As repercussões para ele (Pedro Corrêa) e para família foram as mais negativas possíveis. Antes de divulgar essa nota, eu conversei com a esposa dele, com outros familiares. É bom que fique claro que o próprio Pedro Correa está desautorizando o primo”, explicou Michel Saliba ao JOTA.
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A íntegra da nota do escritório Saliba Oliveira & Advogados Associados:
O Advogado Michel Saliba, inscrito na OAB/DF sob o n.° 24694, informa que o escritório Saliba Oliveira & Advogados Associados, do qual é proprietário, foi contratado pela família do ex-deputado federal Pedro Corrêa para proceder à defesa deste, referente à Operação Origem, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 10.
A declaração do Advogado Clóvis Corrêa, primo de Pedro Corrêa, não reflete o pensamento deste, quer em relação à robustez das provas, eis que Clóvis sequer teve acesso aos autos, bem como – e principalmente – em relação à possível prática de delação premiada, algo sequer cogitado pelo ex-parlamentar, que afirma ter agido nos limites legais.
Portanto, o verdadeiro advogado de defesa do ex-deputado só se pronunciará oficialmente sobre o caso após a detida análise do corpo dos autos.

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