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Nota

Presidente do TJRJ reage às críticas de Crivella contra juíza que mandou fechar avenida

‘Ataques pessoais à figura do julgador remete a tempos obscuros’, diz o desembargador Claudio Tavares

TJRJ
Em fevereiro, houve um deslizamento de terra e árvores na Avenida Niemeyer, em São Conrado, Rio de Janeiro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

‘‘A via recursal é a forma correta para combater decisões judiciais das quais se discorda. Ataques pessoais à figura do julgador remete a tempos obscuros da nossa sociedade. A insatisfação de um governante municipal divulgada na mídia, diante de uma decisão judicial até o presente momento mantida pela instância recursal, consiste em grave ataque à democracia. O interesse público está acima de interesses pessoais, políticos e religiosos.”

A afirmação é do presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargador Claudio de Mello Tavares, em face de críticas de caráter pessoal, do prefeito carioca Marcelo Crivela, à juíza Mirela Erbisti, da 3ª Vara de Fazenda Pública da Capital. Ela determinou o fechamento da Avenida Niemeyer, há meses, depois da morte de duas pessoas por conta de deslizamentos.

Desde maio, a juíza de primeira instância vem se manifestando contra a reabertura da via, que continua interditada, mesmo após pedidos da Prefeitura para que volte a funcionar em dias de sol, sem chuva.

O prefeito do Rio de Janeiro afirmou publicamente, na quinta-feira passada (3/10): ‘‘A juíza que fechou a Niemeyer, vocês precisam conhecer ela. Ela se chama Mirela. Ela tem um site na internet. O site chama ‘togadas e tatuadas’. Ela ensina mulheres a se vestir, como conseguir um namorado. É uma coisa interessante. Aquele site dela é uma coisa interessante. Muito bem. Eu sou engenheiro. Já fiz cem obras. Graças a Deus, nunca caiu”.

Na nota oficial divulgada neste domingo (6/10), o presidente do TJRJ acrescentou: ‘‘Ataques pessoais à figura do julgador remete a tempos obscuros da nossa sociedade. A insatisfação de um governante municipal divulgada na mídia, diante de uma decisão judicial até o presente momento mantida pela instância recursal, consiste em grave ataque à democracia. O interesse público está acima de interesses pessoais, políticos e religiosos’’.


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