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Pesquisa

Para 75% dos brasileiros, democracia está em risco, mostra pesquisa Atlas

Para 55,8% dos brasileiros, manifestações em favor do governo Bolsonaro em 7 de setembro não são justificadas

7 de setembro
Manifestação / Crédito: José Cruz/Agência Brasil

Pesquisa Atlas mostra que 75% dos brasileiros acreditam que a democracia do país está em risco, enquanto 14,8% não veem um risco. A mesma pesquisa mostra que 55,8% dos brasileiros acreditam que as manifestações em favor do governo Bolsonaro marcadas para o 7 de setembro não são justificadas, enquanto 36,4% acham que são justificadas.

A pesquisa perguntou também sobre a participação das pessoas nas manifestações do dia 7 de setembro. Enquanto 18,4% disseram que irão participar com certeza e 6,2% disseram que talvez irão participar, 59,5% disseram que não irão participar  e 8,8% que provavelmente não irão participar.

Enquanto 37% acham que policiais e membros das Forças Armadas deveriam ter permissão para participar dos atos, 54,2% acham que não.

Análise do governo e eleições

Na série do Atlas, a avaliação do governo chegou ao seu pior patamar, com 61% de ruim ou péssimo. Esse valor está acima da banda superior do intervalo registrado pelo modelo de agregador do JOTA, que está em 56%. Já a avaliação positiva está em 24%, próxima da estimada pelo modelo do JOTA, que fica em 25%.

Enquanto Lula melhorou a imagem, Bolsonaro vê sua imagem entre os eleitores piorar. Na pesquisa, Lula tem 46% de imagem positiva e 48% de imagem negativa, Bolsonaro tem 63% de imagem negativa e 35% de imagem positiva.

O ministro Paulo Guedes tem 59% de imagem negativa e 25% de imagem positiva, em uma demonstração das dificuldades atuais do governo na economia. Em maio de 2019, Guedes tinha 40% de avaliação positiva e 41% de negativa.

O tucano Eduardo Leite tem registrado uma melhora na avaliação, mas ainda está longe de outros políticos. Leite tinha 42% de imagem negativa em maio de 2021 e 11% de imagem positiva. Agora, ele tem 20% de imagem positiva e 38% de negativa. Para Leite, 42% não sabem fazer uma avaliação.

Nos cenário eleitorais medidos pelo Atlas, Eduardo Leite tem resultado similar a João Doria (5,8% quando o gaúcho é listado contra 6,6% quando o governador de São Paulo aparece).

Nos diferentes cenários listados pelo Atlas, a distância entre Lula e Bolsonaro no primeiro turno fica em torno de 8 pontos percentuais. Esse valor é próximo ao calculado pelo modelo pre-casting apresentado pelo JOTA em call com assinantes na semana passada, quando a distância foi calculada entre 8 e 16 pontos.

Análise da metodologia

A pesquisa foi feita com amostra de 3.146 respondentes, entre os dias 30 de agosto e 4 de setembro. Este é um bom tamanho de amostra porque permite ao instituto comparar os resultados com uma margem de erro de 2 pontos. Contudo, a margem cobre apenas a possibilidade de erros aleatórios na pesquisa. 

O atlas utiliza uma metodologia de amostragem proprietária baseada em recrutamento digital aleatório. Os entrevistados são recrutados organicamente durante a navegação de rotina na web em territórios geolocalizados em qualquer dispositivo (smartphones, tablets, laptops ou PCs). A coleta aleatória é uma boa prática de pesquisa e posteriormente a empresa faz um processo de ajuste na amostra para que ela fique semelhante à distribuição da população brasileira.

Esse processo de pós-estratificação utiliza um conjunto de variáveis: sexo, faixa etária, nível educacional, nível de renda, região e comportamento eleitoral anterior. Esse trabalho é uma boa prática para melhorar a confiabilidade das pesquisas. A empresa também tenta corrigir o viés de autosseleção, quando algumas pessoas se selecionam mais para responder pesquisas do que outras, rastreando constantemente as taxas de respostas.

Segundo o Atlas, dada a onipresença das ferramentas de bloqueio de chamadas, o método pela internet está se tornando superior ao RDD, quando são feitas chamadas telefônicas por robô, em termos de cobertura populacional.