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Economia

‘Democracia e mercados’: o lema de Guedes em Davos

Ministro antecipa ao JOTA os principais pontos de sua fala no Fórum Econômico Mundial, onde representará Bolsonaro

Guedes
Palavras do Ministro de Estado da Economia, Paulo Guedes / Crédito: Alan Santos/PR

Sai de cena “Democracia em Vertigem” e entra “Democracia e Mercados”. Depois da ampla reverberação política internacional do documentário de Petra Costa, indicado ao Oscar, a semana começa com os holofotes voltados para o ministro da Economia, Paulo Guedes, que desembarca nesta segunda-feira em Davos (Suíça) para representar o governo brasileiro no Fórum Econômico Mundial.

Guedes falará a investidores, dirigentes de grandes corporações e autoridades globais numa concorrida série de reuniões, palestras, almoços e jantares até o dia 24 de janeiro. Sob a ribalta estará a agenda econômica de Jair Bolsonaro, com ênfase nos projetos já executados e nas prioridades para 2020.

O ministro antecipou ao JOTA alguns dos principais pontos de sua jornada em solo europeu, na qual dividirá o protagonismo com potenciais adversários de Bolsonaro em 2022 — o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o apresentador de TV, Luciano Huck.

Sem mencionar a produção brasileira pré-selecionada para o prêmio máximo de Hollywood, que difunde a narrativa histórica do PT sobre a queda de Dilma Rousseff e a ascensão do bolsonarismo, Guedes afirma que apresentará fundamentos institucionais que enxerga consolidados no país no momento.

“Democracia vibrante: estado de Direito, Poderes independentes, imprensa tradicional e redes sociais livres e competitivas”, resume o ministro.

Guedes fará a associação desse ambiente, que considera cristalizado no mandato de Bolsonaro, com as iniciativas de sua pasta.

“Economia de mercado: redução e simplificação de impostos, desestatizações, abertura da economia, quebra de monopólios. Essa é a mensagem”, afirma.

Para além dos recados conceituais, o “Posto Ipiranga” de Bolsonaro pretende detalhar os feitos do primeiro ano de administração, inclusive o que classifica como a “maior e mais dura reforma da Previdência do mundo”. 

Ao tratar dos próximos passos, o ministro procurará destacar o pacto federativo, visto como um “seguro” para as finanças da União, estados e municípios. Esse projeto, no qual Guedes se envolve pessoalmente, teria, na visão dele, amplo potencial para tranquilizar os investidores internacionais, dando previsibilidade às contas públicas. 

O provável ingresso do Brasil na OCDE também será tratado em Davos como um marco no alinhamento estratégico do país com as nações mais desenvolvidas. 

Contexto da ida de Guedes a Davos

A incursão de Guedes pelas conferências que congregarão a elite econômica global ocorre num ambiente de desgaste da imagem do Brasil no exterior. Após a reverberação mundial dos incêndios na Amazônia e dos vazamentos de óleo que atingiram a orla brasileira, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que polariza com Bolsonaro nas redes sociais, será personagem central no evento. Chamada pelo presidente de “pirralha”, a ambientalista deve liderar manifestações chamando a atenção dos investidores sobre os riscos das mudanças climáticas.

Outro campo que tem levado a gestão bolsonarista a vigorosos questionamentos internacionais é o da cultura. O episódio mais recente, envolvendo o ex-secretário nacional da pasta Roberto Alvim, ensejou reação global a um vídeo inspirado no nazismo disseminado por ele para anunciar um prêmio da sua pasta. 

No campo econômico, o governo brasileiro precisará destrinchar o receituário que será adotado para perseguir o crescimento consistente (inclusive a meta de alta de 2,4% do PIB este ano, prevista pela equipe de Guedes) e a redução do desemprego, que hoje afeta 11,9 milhões de pessoas. Outro ponto sensível a ser esclarecido no Fórum é o avanço da pauta de privatizações  — em 2019, o governo não conseguiu vender o controle da Eletrobras e dos Correios. Outras 15 empresas estão numa lista de desestatizações prometidas para este ano.

A expectativa quanto às concessões na área de infraestrutura também deverá ser objeto de análise pelos investidores internacionais. 


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