Direitos Indígenas

Quem é Sônia Guajajara, que será ministra dos Povos Originários do governo Lula

Deputada federal eleita é reconhecida por sua influência no movimento pelos direitos indígenas no Brasil

sônia guajajara
Sônia Guajajara, líder e ativista indígena, na Primeira Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília (DF). / Crédito: Katie Maehler/Flickr/@apiboficial

Primeira deputada federal indígena eleita pelo estado de São Paulo, a ativista Sônia Guajajara foi escolhida pelo presidente diplomado Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a pasta do Ministério dos Povos Indígenas, pasta que será criada pelo novo governo. Guajajara será a primeira indígena a ocupar um ministério.

Além da ativista indígena, os nomes da deputada federal de Roraima, Joênia Wapichana (Rede Sustentabilidade) e Weibe Tapeba, vereador do Partido dos Trabalhadores (PT) pela cidade de Caucaia-CE, eram cotados para assumir o Ministério.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), junto com outras oito organizações regionais, havia encaminhado uma carta ao presidente Lula destacando a importância do movimento indígena na democracia brasileira, além do envio de uma lista tríplice contendo os nomes de Sônia, Joênia e Weibe para a pasta dos povos originários. Sônia Guajajara é coordenadora-executiva da entidade.

Quem é Sônia Guajajara, ministra dos Povos Originários

Sônia Guajajara nasceu na terra indígena de Araribóia, no estado do Maranhão, e faz parte do povo Guajajara/Tentehar. Por sua luta pelo reconhecimento dos direitos dos povos indígenas, em maio deste ano foi eleita pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo.

Filha de pais analfabetos, aos 15 anos de idade Sônia recebeu ajuda da Fundação Nacional do Índio (Funai) para poder cursar o ensino médio em Minas Gerais. A ativista é formada em Letras e Enfermagem pela Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) e pós-graduada em Educação Especial.

Guajajara ainda desempenha o papel de Coordenadora Executiva da APIB, finalizando o seu segundo mandato (2017/2022) e compõe o Conselho da Iniciativa Inter-religiosa pelas Florestas Tropicais do Brasil, iniciativa que integra um programa das Nações Unidas.

Em 2018, Sônia Guajajara foi a primeira indígena a compor uma chapa presidencial no Brasil. A ativista foi candidata à vice-presidente do país pelo PSOL, ao lado do agora também deputado federal eleito Guilherme Boulos.

Nas eleições de outubro de 2022, a líder indígena teve mais de 150 mil votos válidos e foi eleita deputada federal por São Paulo. Em novembro, Guajajara esteve presente na COP-27 (Conferência do Clima da ONU), no Egito, ao lado de Marina Silva e Izabella Teixeira — representantes de organizações ambientalistas — e outras lideranças indígenas, e cobrou a criação do Ministério dos Povos Originários e maior participação dos indígenas no governo.

Na transição, ela integrou o Grupo Técnico dos Povos Originários.