Eleições

Excesso de representações

Alexandre de Moraes: siglas lutaram pela democracia, mas não admitem mínima crítica

Afirmação foi feita em julgamento que negou direito de resposta a Haddad contra uma rádio que o chamou de “cavalo”

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Moraes disse que partidos não sabem lidar com críticas. Crédito: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Alexandre de Moraes, que é ministro-substituto do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e integrante do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas nesta quinta-feira (20/9), durante sessão da Corte eleitoral, à atuação dos partidos nas eleições em relação aos reiterados pedidos de direito de resposta.

Segundo ele, as mesmas legendas que lutaram por vários anos pela democracia, não estão sabendo lidar, neste pleito, com as críticas que são inerentes à liberdade de expressão.

“Isso me preocupa porque vários partidos que durante anos, décadas lutaram pela democracia, pluralismo politico, liberdade de imprensa, hoje, quase 30 anos da promulgação da Constituição, e o Brasil, com todos problemas, todas as crises, econômica, ética, política, vive plena democracia e esses mesmos partidos, independente de ideologia, de ‘a’ a ‘z’ não admitem mínima crítica de veículos de comunicação ou de humoristas”, disse.

Moraes afirmou que se a Corte atendesse todos os pedidos das legendas haveria uma grave violação a direitos fundamentais.

“Se nós deferíssemos todas as representações, acabaria a liberdade de imprensa e de expressão. Os mesmos partidos e candidatos, não importa a ideologia, que proferem criticas ácidas e ofensivas aos adversários não admitem nenhuma análise crítica mais feroz em relação à sua própria pessoa e correligionários. Isso é a negativa total da democracia”, afirmou.

Para ele, os partidos devem fazer analisar o tema depois do pleito. “Após as eleições, há de se fazer uma reflexão geral de todos partidos democratas que lutaram pela democracia, pois esse é o preço da democracia. Um belo preço, que todos critiquem, analisem. Extremamente preocupante que se aumente número de representações para se calar qualquer tipo de crítica”, disse.

O ministro fez a crítica durante julgamento em que o TSE rejeitou pedido de resposta apresentado por Fernando Haddad (PT) contra à Rádio Jovem Pan por afirmação de apresentadores em que o candidato do PT é classificado como “boi de piranha para um preso”, “cavalo” e “capacho”, atribuindo-lhe, ainda, a conduta de enganar o mercado financeiro.


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