Eleições

STF

Cúpula do Judiciário avalia que 2º turno deve expor mais Bolsonaro na eleição

Ministros do TSE, STF, STJ, além de AGU, PGR e Executivo acompanharam apuração na Corte Eleitoral

Presidente do TSE, Rosa Weber, e autoridades acompanham a apuração do 1º turno das eleições. Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

Integrantes da cúpula do Judiciário avaliam que a formação de um segundo turno na disputa presidencial é importante para permitir o realinhamento de forças políticas e ainda forçar maior exposição de Jair Bolsonaro (PSL), que teria sido menos testado diante do atentado que sofreu durante a campanha.

Segundo ministros de Cortes superiores, se a eleição do candidato do PSL tivesse sido confirmada em primeiro turno, a onda conservadora no país estaria ainda mais consolidada, sendo que ele chegaria ao comando do país com maior força política e sem precisar eventualmente de fazer acenos e até mesmo explicar melhor quais são suas propostas, o que pode vir a ocorrer na nova fase da disputa presidencial. Ministros, no entanto, admitem favoritismo do candidato.

Para ministros, há uma preocupação especial para a nova etapa das eleições em relação às chamadas notícias falsas, que ganharam força na reta final do primeiro turno, mas não deve haver o acirramento dos candidatos nas peças publicitárias.

A apuração dos votos de uma das eleições mais tensas desde a redemocratização do país foi acompanhada pelos ministros do Tribunal Superior Eleitoral em dois momentos distintos na Corte, intercalando avaliações sobre o cenário presidencial e também em torno do resultado das bancadas da Câmara.

Inicialmente, a presidente da Corte, Rosa Weber, se reuniu no meio da tarde com integrantes da Corte em seu gabinete. Juntaram-se ao grupo o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, e o ministro Gilmar Mendes. Também estiverem presentes a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, e a ministra da Advocacia-Geral da União, Grace Mendonça e o ministro da Segurança Pública Raul Jungmann.

Quando foi iniciada a divulgação dos primeiros dados presidenciais, Rosa e os colegas se dirigiram para o Centro de Divulgação das Eleições, permanecendo até depois das 20h48, quando decidiu-se pelo segundo turno e logo depois foi chamada uma entrevista coletiva para fazer um balanço do primeiro turno.

Numa roda meio tímida por causa da proximidade com jornalistas, os ministros acompanhavam as atualizações das parciais numa telão. Um ou outro arriscava uma análise mais profunda. Chamou atenção de integrantes da Corte o desempenho do ex-ministro Henrique Meirelles (MDB), que apesar do currículo, ficou em sétimo colocado na corrida.

Outra consideração foi sobre o número de deputados eleitos pelo PSL, partido do presidenciável Jair Bolsonaro, que conquistou a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados com 53 parlamentares, e ainda o número de políticos tradicionais que enfrentaram problemas nas urnas.

O encontro contou ainda com momentos descontraídos como selfies, entre elas, a registrada por Grace ao lado de Rosa Weber e Raquel Dodge pegando ao fundo o telão com dados da corrida presidencial.

VOTOS

A principal dificuldade de Bolsonaro para conquistar as eleições no primeiro turno foi seu desempenho na região Nordeste, considerado reduto político do PT e em especial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, padrinho político de seu adversário no segundo turno, Fernando Haddad (PT).

Por outro lado, Bolsonaro venceu em 17 colégios eleitorais do país, liderando quatro dos cinco Estados com o maior número de eleitores, mostrando força expressiva no Sul e no Sudeste.

Em São Paulo, Bolsonaro teve quase quatro vezes mais votos do que Haddad: foram 12,1 milhões de votos contra 3,7 milhões. Em Minas Gerais, os eleitores garantiram uma diferença de 2,2 milhões de votos para Bolsonaro em relação ao petista.

No Rio de Janeiro, 5,1 milhões de brasileiros apostaram no candidato do PSL. Haddad ficou em terceiro lugar no Estado com 1.253.754 milhão de votos, sendo ultrapassado por Ciro Gomes (PDT), que fez 1.298.503 milhão de votos.

No Rio Grande do Sul, a diferença entre os presidenciáveis do segundo turno foi de 1,8 milhão de votos – sendo que Bolsonaro registrou 3,3 milhões e o petista 1,4 milhão. No estado, haverá segundo turno entre dois candidatos com viés à direita, que devem apoiar Bolsonaro e ampliar a força do candidato na região.

A Bahia, quarto colégio eleitoral do país, optou por Haddad – com 4,2 milhões de votos no petista e 1,6 milhão no candidato do PSL. Haddad ainda liderou no SE, RN, PI, PE, PB, AL e MA. Na maioria dos estados, candidaturas de esquerda são favoritas e devem alavancar Haddad, ainda mais diante da ausência de Ciro Gomes, que levou parte do eleitorado tradicionalmente petista.

O Ceará foi o único Estado em que nenhum dos dois candidatos que foram ao segundo turno venceu. Berço político da família Gomes, Ciro fez mais de 40% e, agora, deve trabalhar para que esses eleitores migrem para o PT.

No Pará, Haddad saiu vencedor com uma diferença de mais de 200 mil votos.
Entre os brasileiros que votaram no exterior, Bolsonaro teve 101.728 (58,52%), enquanto Ciro Gomes teve 25 mil e Haddad 18,1 mil votos.

Os números mostram que Bolsonaro sai muito mais confortável para o segundo turno do que Haddad, mas, agora, terá que se expor mais do que na fase inicial do pleito, quando ficou se recuperando do atentado a faca. Com quase 100% das urnas apuradas, Bolsonaro registrou aproximadamente 46% dos votos válidos. Agora, irá trabalhar para receber, principalmente, os votos de candidatos contrários ao PT: os 4,7% de Geraldo Alckmin e os 2,51% de João Amoedo.

Os dois ainda terão que lutar para diminuir a alta rejeição que registram e Bolsonaro irá avaliar até que ponde é positivo receber apoio oficial de candidatos e partidos que não foram ao segundo turno, uma vez que seu desempenho se deve principalmente ao fato de ser visto como um outsider, uma figura que não faz negociações com o mundo político tradicional.


Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito