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Estratégia

Haddad pede ao TSE para ser entrevistado pela Globo no horário do debate

Jair Bolsonaro não participou de nenhum confronto no segundo turno das eleições

Haddad
Fernando Haddad (PT/SP) / Crédito: Lula Marques/ AGPT

Na reta final para o segundo turno das eleições, a campanha de Fernando Haddad (PT) à Presidência tenta provocar ao menos um debate com Jair Bolsonaro (PSL). Os advogados do petista pediram ao Tribunal Superior Eleitoral que autorize a TV Globo a transformar o embate em entrevista caso o candidato do PSL não compareça.

Segundo integrantes da campanha petista, a ideia é forçar que o adversário reveja estratégia de faltar ao confronto. A movimentação, no entanto, também é um instrumento de pressão sobre a própria emissora que já anunciou que não vai entrevistar o candidato do PT.

O partido afirma que a Resolução nº 23.551/17, do próprio tribunal, prevê que “o horário designado para a realização de debate poderá ser destinado à entrevista de candidato, caso apenas este tenha comparecido ao evento”. 

Após a desistência de Bolsonaro, a TV Globo informou que cancelou o confronto e informou que não abrirá espaço para uma entrevista ou sabatina com Fernando Haddad (PT).

A emissora alegou que havia sido acertado com as equipes dos dois candidatos que esse tipo de espaço para o candidato petista não aconteceria caso Bolsonaro se recusasse a participar dos debates por problemas na saúde.

“Ainda que o presidenciável Bolsonaro não compareça à emissora no horário designado, é plenamente possível que a oportunidade seja destinada à realização de entrevista com o candidato Fernando Haddad. Os debates eleitorais são espaços-chave das campanhas eleitorais, compreendendo-se por momentos onde os candidatos debatem ideias, questionam
posicionamentos e propõe soluções”, afirma o escritório Aragão e Ferraro Advogados, responsável pela defesa do PT.

A ação ressalta que “será a primeira vez desde a redemocratização que não haverá debates presidenciais no segundo turno”. “Ou seja, após o fim da censura que era imposta pelo regime militar, será esta a única oportunidade em que o eleitorado não poderá ver e ouvir os candidatos pondo em contraposição os seus projetos de país, dificultando-se a promoção de uma análise comparativa dos debates sincera”.

Segundo os advogados, “dessa maneira, o eleitorado brasileiro e, sobretudo, os eleitores ainda indecisos serão vítimas de uma completa desinformação motivada por uma estratégia de campanha”.

Nota da Globo sobre cancelamento:

“Recebemos na data de hoje, último dia combinado com as campanhas dos candidatos à Presidência para confirmação do debate de sexta-feira próxima, email da campanha do candidato Jair Bolsonaro (transcrito abaixo), informando que o mesmo não poderá participar do evento, em razão de limitações de saúde.

Já o candidato do PT, Fernando Haddad, confirmou sua disposição de estar presente. Como se trata de campanha de segundo turno, obviamente não há outros candidatos para viabilizar a realização do debate.

Na reunião de elaboração das regras do evento foi acertado com as assessorias dos candidatos que, se Jair Bolsonaro não pudesse comparecer por razões de saúde, o debate não seria substituído por entrevistas”.

Carta da campanha de Bolsonaro enviada à Globo:

“‘Como informado pelo Rodrigo Marcondes, na reunião do dia 9 de outubro pp., a presença do candidato Jair Bolsonaro ao debate da TV Globo precisaria ser confirmada por sua assessoria, tendo em vista o seu atual quadro de saúde.

Apesar de o Dr. Antonio Macedo ter reduzido o nível de restrição de suas atividades rotineiras, o candidato continua com limitações em virtude da bolsa de colostomia. Segundo explicado pelo aludido médico (vídeo anexo), o paciente com a bolsa de colostomia fixada ao lado direito do abdômen, como no caso do candidato, não tem qualquer controle intestinal. Com isso, o seu preenchimento total pode ser rápido e inesperado, podendo levar ao rompimento da bolsa, o que gera extremo desconforto e constrangimento ao paciente.

Além disso, por orientação médica, ele ainda deve evitar esforço físico, estresse excessivo ou ficar muito tempo em pé.

Por esses motivos, ele não poderá comparecer ao debate marcado para o dia 26 de outubro, às 22 horas”.

 


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