Eleições 2018

Pesquisa

Voto impresso: 62% das menções no Twitter criticaram STF por suspensão

Pesquisa da FGV mostra que família Bolsonaro foi maior impulsionadora do debate, cuja presença de robôs foi mínima

voto impresso
Novo modelo da urna eletrônica / Crédito: TSE/Divulgação

Estabelecido em 2015 pela minirreforma eleitoral e derrubado liminarmente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no mês passado, o voto impresso tem causado discussões acaloradas no Twitter.

Segundo um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o debate tem sido amplamente favorável à impressão dos votos dos cidadãos e foi impulsionado primordialmente pré-candidato Jair Bolsonaro e seus filhos na rede.

Foram mais de 230 mil tuítes de 22 de fevereiro a 15 de junho deste ano, mobilizando 30 mil usuários da rede. É quase o dobro das menções ao Bolsa Família, política pública que polariza embates nas redes sociais, e teve 122 mil menções no período. Os Bolsonaros movimentaram 7% dos retuítes sobre o tema – 10,4 mil.

TSE e STF

O estudo mostra que a discussão em torno do tema se concentrou em dois momentos: em março, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que 5% das urnas imprimiriam votos; e em junho, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu suspender por medida cautelar a aplicabilidade do voto impresso.

“Também houve críticas, que foram impulsionadas com o uso das hashtags #TSEmentiu e #TSEcumpraalei, como forma de inferir que a decisão não era uma vitória, mas uma falsa verdade. Isso porque portais de notícias divulgaram que o tribunal teria aprovado o voto impresso sem destacar que a implementação ocorreria apenas em uma parcela pequena dos casos”, diz trecho do estudo.

Segundo a DAPP, usuários criticaram em 42% das menções a decisão de adotar o voto impresso apenas em alguns colégios eleitorais, momentos antes e depois do veredito do TSE.

Depois do julgamento do STF, que entendeu que a implementação do voto impresso colocaria em risco o sigilo do voto por causa da logística da impressão, a mobilização dos usuários contra a decisão gerou o maior pico de menções do período: 57 mil.

Dessas menções, 62% criticaram ativamente a decisão do tribunal de suspender o voto impresso.

O estudo também descobriu que o uso de robôs no engajamento da questão não foi significativo. “Também não se verificou forte mobilização de grupos, no Twitter, contrários ao voto impresso e/ou favoráveis às decisões do TSE e do STF sobre a aplicabilidade da impressão nas eleições de outubro, demonstrando que o assunto se restringe a um nicho de usuários da rede social”, finaliza o estudo.


Você leu 1 de 3 matérias a que tem direito no mês.

Login

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito