Compliance na Prática

Mercado

Tecnologia não substitui análise de risco e cultura de compliance, mas ajuda

Antes de escolher um “videogame caro”, empresa deve ter clareza sobre suas necessidades

Painel sobre compliance e tecnologia no 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F - Crédito: Ricardo Godoy/Divulgação J&F

Sem análise de risco e cultura organizacional sólidas, a tecnologia pode significar apenas um “videogame caro”. Em debate nesta quarta-feira (8/12) sobre compliance e tecnologia, durante o 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F, os painelistas partiram de uma provocação: ferramentas já simplificam rotinas, mas podem construir cultura? A resposta direta é “não”. Mas há nuances. O evento continua até amanhã (9/12) e terá mais dois debates ao vivo. A participação é gratuita, e o JOTA fará a cobertura diária.

“É você, profissional de compliance, que vai entrar em uma sala com não sei quantos terabytes de dados e dizer para os cientistas o que eles têm que olhar e quais correlações têm que procurar”, defendeu Martim Della Valle, sócio do escritório Marchini Botelho Caselta e fundador da lawtech Zenith Source. “Porque é você que sabe quais são as questões que têm que ser analisadas, é você que sabe qual é o ouro que está ali”.

No mesmo sentido, saber de antemão qual é o objetivo da empresa em utilizar um ou outro software é essencial. “Falar de ferramentas sem falar de análise de risco é algo absolutamente inconsistente”, explicou Luciano Malara, sócio do Missão Compliance. “Antes de olhar para a ferramenta, eu tenho que olhar para dentro de casa, onde está doendo o meu calo, onde é a minha exposição”, ele detalhou. “E a partir daí, sim, vale a pena pensar se a ferramenta custa R$ 1 milhão ou R$ 1.000.”

Inscreva-se gratuitamente para acompanhar o evento

Ambos os participantes relataram que, em organizações que já têm culturas de compliance sólidas, o uso da tecnologia pode, sim, ajudar a fortalecê-las. “Você precisa ter bons processos”, resumiu Della Valle.

“Como eu perpetuo a cultura? Por meio de crenças, práticas, modos de agir”, disse Malara. “Se eu integro ferramentas às minhas práticas e demonstro que estão ali para ajudar, monitorar, informar, auxiliar ou para trazer mais eficiência, as pessoas têm consciência de que aquele ambiente tem controle. A tecnologia é um dos fatores integrantes da estruturação da cultura, para que ela se fortaleça.”

Reverberando um dos temas discutidos no evento — “compliance sob medida: diferentes programas para diferentes empresas” —, Della Valle afirmou que “não existe programa de compliance de prateleira”. Para ele, uma situação a ser evitada é “o compliance ser quase um pedágio dentro da empresa”.  “A gente quer que o compliance seja parte integrante da cultura e tudo flua naturalmente”, disse. “A tecnologia é um passo que vem naturalmente com a maturidade dos programas de compliance”.