Compliance na Prática

ESG e Compliance

Cumprir a lei é ‘o mínimo’: agenda ESG deve integrar estratégia das empresas

Consumidores, investidores e conselhos de administração esperam resultados nos três eixos: social, ambiental e de governança

Joanita Karoleski. Leila Lória e Liége Correia / Crédito: Ricardo Godoy/Divulgação J&F

“Só cumprir a lei não é diferencial, é o mínimo.” A frase de Leila Lória, membro do conselho da JBS e presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), dá o tom de como foi o debate “Compliance no mundo ESG: sinergias e desafios nas agendas ambiental e social”, nesta quinta (9/12) — Dia Internacional de Combate à Corrupção —, no 2º Encontro de Compliance do Grupo J&F. Durante a semana, o evento apresentou oito debates sobre diferentes aspectos de compliance. Veja a cobertura completa.

Iniciativas ligadas às questões ambiental, social e de governança devem ter credibilidade e consistência. Ou seja, não podem servir apenas a campanhas de comunicação e marketing. O objetivo é promover mudanças significativas e buscar um efeito multiplicador. “Não adianta a gente resolver o problema da floresta em pé se a gente não dá uma condição de vida adequada para as pessoas”, exemplificou Joanita Karoleski, presidente do Fundo JBS pela Amazônia. “O desenvolvimento ambiental tem que vir junto com o social.”

“A gente trabalha com três pilares: restauro e conservação, desenvolvimento socioeconômico das comunidades — respeitando a biodiversidade da floresta — e ciência e tecnologia, porque não se faz nada sem tecnologia”, afirma.

Liège Correia, diretora de Sustentabilidade da Friboi, conta que  a empresa entendeu que não bastava só bloquear um fornecedor. “A gente precisa atacar toda a cadeia produtiva, ajudando todos esses produtores a ficarem em conformidade socioambiental e poderem vender não só para a JBS, mas para outras indústrias.”

Buscar o efeito multiplicador é bom para o ambiente de negócios, e também uma necessidade. Consumidores têm se preocupado em buscar marcas que consideram éticas. Como consequência, isso tem se refletido na gestão das empresas. “O papel do conselho na implantação da agenda é fundamental, porque ESG não está num departamento, numa seção ou em um assunto”, disse Lória, do IBGC.

“Se não for parte da estratégia da companhia, não vai gerar resultados positivos. E o conselho é o fórum em que a estratégia é discutida e aprovada junto com a alta gestão da companhia. Se o conselho não coloca na agenda os temas ESG com ênfase e não acompanha e cobra, as coisas definitivamente não acontecem.”

No mesmo sentido, investidores também têm impulsionado a adoção de melhores práticas ESG. “Eles buscam garantir que estão investindo em uma companhia que está fazendo um trabalho correto e vai gerar valor para o planeta e para as pessoas no médio e longo prazo”, conclui Lória.