Combustível Legal

FÓRMULA 1

O que é combustível legal na Fórmula 1?

Combustível usado pelos carros da F1 é 99% igual ao vendido nos postos, mas esse 1% faz muita diferença

Sebastian Vettl ao lado da estrutura da Shell no box da Ferrari. Foto: Raízen

No começo da década de 1990, um litro da gasolina usada nos carros da Fórmula 1 custava US$ 20, o equivalente a cerca de R$ 80, e a composição era diferente para os treinos e para a corrida. Hoje, o combustível usado na principal categoria do automobilismo mundial é praticamente igual ao vendido nos postos. O limite de adição de aditivos é de 1% em relação ao volume total. Essa mudança de regulamento foi motivada pelo desejo da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) de tornar a Fórmula 1 mais competitiva, com mais igualdade nos gastos das equipes.

Para atingir o máximo que esse 1% pode trazer, as equipes têm nos boxes verdadeiros laboratórios, onde são realizados testes e experimentos. Por corrida, cada equipe transporta cerca de 3.500 litros de gasolina. Ou seja, no Grande Prêmio do Brasil, que será no próximo domingo no Autódromo de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo, foram trazidos, no mínimo, 70.000 litros de combustível, já que são 20 equipes ao todo. Em cada etapa de transporte são realizados testes para ver se a composição não foi alterada.

“Tem que ser tudo absolutamente perfeito. Os testes constantes são feitos porque sempre existe o risco de existência de impurezas no tambor onde o combustível foi transportado ou nos reservatórios levados aos autódromos”, explica Gilberto Pose, especialista em combustíveis da Raízen, licenciada Shell, que é a fornecedora de combustíveis e lubrificantes da Ferrari, da Alfa Romeo e da Haas. “Todas as informações capturadas na pista vão para o banco de dados da Shell e há uma constante troca de informações com a Ferrari para desenvolver cada vez mais os combustíveis e lubrificantes. Esse laboratório itinerante ajuda nesse desenvolvimento”, complementa Pose.

Quando Fernando Alonso era da Ferrari, fez um teste com o carro da escuderia de 2009 usando o combustível da Fórmula 1 e na sequência a gasolina vendida nos postos. A diferença no tempo na volta no circuito de Maranello, na Itália, foi de nove décimos de segundo favoráveis ao combustível especializado, o que representa muito na F1, principalmente nos treinos de classificação. “No último GP da Bélgica, por exemplo, 9 décimos de segundo foi o intervalo entre o pole position Charles Leclerc, da Ferrari, que marcou 1 minuto 42 segundos e 519 milésimos, e o quarto colocado, Valteri Bottas, da Mercedes, com o tempo de 1 minuto 43 segundos e 415 milésimos”, diz Alessandra Alves, comentarista de Fórmula 1 das rádios do Grupo Bandeirantes. “Entre os dois, ainda ficaram Sebastian Vettel e Lewis Hamilton. Em termos de corrida, as diferenças entre os carros costumam ser maiores, na casa dos segundos, e não dos décimos de segundos”.

Além da diferença na composição em até 1% do total e dos testes frequentes, também há um cuidado especial com o armazenamento. O combustível fica guardado nos autódromos em refrigeradores que podem ficar com temperatura de até 10 graus a menos em relação à média do dia anterior.

Laboratório da Shell que acompanha a Ferrari. Foto: Raízen

Mudanças no futuro  

Nessa terça-feira (12/11) a Fórmula 1 divulgou um projeto para tornar a categoria mais sustentável e ecológica até 2030 ao eliminar a emissão de carbono. Isso vai aumentar a busca das equipes por fontes de energia renováveis. Não será adotado o motor elétrico, uma vez que já existe a Fórmula E.

Atualmente, os carros são movidos por unidades híbridas, com motores de potência reduzida, mas que ganham força ao reutilizar a energia gerada na combustão dos cilindros com a ajuda de componentes elétricos.

Em relação aos combustíveis, haverá uma mudança já a partir de 2021, quando começa a valer um novo regulamento na categoria. “O regulamento atual da Fórmula 1 permite o uso mínimo de 5,75% de biocomponentes (biometanol ou bioetanol). A partir de 2021, esse mínimo passa a 10% de etanol sustentavelmente avançado. O novo regulamento define ‘componente sustentavelmente avançado’ como um combustível de segunda geração de biocomponente ou um componente de captura não-carbônica e reutilizável. O próprio regulamento lista o que pode ser enquadrado nessa categoria: vários tipos de biomassa não alimentares, como lignocelulose (etanol originado a partir da celulose), algas, e resíduos agrícolas (a vinhaça da cana de açúcar, por exemplo)”, explica Alessandra Alves.


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