Casa JOTA

Reformas no Congresso

Marcos Pereira: privatizações da Eletrobras e dos Correios devem avançar neste ano

Agenda econômica deve prevalecer sobre a pauta de costumes e não seria afetada por Lula, avalia deputado

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Deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP) / Crédito: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

Para o deputado Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos e integrante da bancada evangélica, a agenda de reformas será prioridade na Câmara dos Deputados neste ano, em sobreposição à pauta de costumes e à volta de Lula ao cenário político. Assim, ele diz estar confiante de que as privatizações da Eletrobras e do Correios devem avançar sem “grandes polêmicas”. O parlamentar concedeu entrevista ao vivo ao JOTA nesta segunda-feira (15/3).

“Não tenho como dar prazo para discutir a privatização do Correios, mas a minha expectativa é votar ainda neste ano. A Eletrobras entendo que será votada dentro dos 120 dias que pede a MP”, afirmou no webinar. “Não vejo tanta polêmica com essas privatizações ou capitalização, como chamou o governo”, completou.

Em seguida, o foco seriam as reformas tributária e administrativa, que, na visão dele, devem suscitar maiores discussões e negociações entre parlamentares e o Planalto. Entretanto, o deputado enxerga a Câmara mais propensa a debater pautas de interesse do governo do que durante a presidência anterior, de Rodrigo Maia (DEM-RJ). “O Congresso é mais reformista, e há um alinhamento entre os presidentes; não há ninguém trabalhando para que as pautas não consigam avançar. Mas também não seremos subservientes”, afirmou ele, que, no mandato anterior, era 1º vice-presidente da Câmara


Segundo o parlamentar, se o momento é de uma Câmara focada em discussões econômicas, o avanço das chamadas pautas de costumes deve ficar de lado, ainda que com a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sob o comando da deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). “Vi vários lideres aconselhando o presidente da Câmara a priorizar a agenda econômica. Gerar emprego e renda não é com pauta dos costumes”, comentou.

Apesar desse movimento, o deputado disse confiar que o próximo indicado de Jair Bolsonaro para ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) será evangélico. Em julho, Marco Aurélio Mello se aposenta, deixando uma vaga em aberto. “É algo simbólico, para prestigiar a comunidade evangélica, que tem crescido. Vejo com bons olhos. É imperativo que se tenha um ministro profundamente conhecedor das leis, não importando a religião, mas também menos ativista”, disse.

A disposição dos parlamentares para discutir e aprovar reformas não seria abalada pela possível candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência, segundo o líder do Republicanos. “Analisando o cenário hoje, acho que só Lula pode vencer Bolsonaro no segundo turno e Bolsonaro vencer Lula. Não vejo que a entrada do Lula possa macular a agenda econômica; são reformas do país”, disse. No entanto, um movimento esperado é que o atual governo aposte em programas sociais nos próximos meses.

“Acredito que, terminado o auxílio emergencial, teremos um programa social, seja Renda Brasil ou Bolsa Família, mais turbinado. Mas não vejo margem para que o Congresso aprove o furo do teto”, ponderou.

Apesar de dizer que atualmente há mais harmonia nos interesses do Congresso e do Planalto, o deputado criticou a gestão do governo na crise sanitária. “Essa crise sem precedentes está sendo bem conduzida. Houve uma politização do tema desde o ano passado. A meu ver governo federal errou, mas governos estaduais também erraram. E quem acabou perdendo foi a população”, afirmou.

Nesse sentido, confirmou que o clima não é favorável ao ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, inclusive com o apoio de parlamentares à abertura de uma CPI sobre a pandemia.  “Bom seria um ministro mais técnico, gestor e conhecedor da saúde. Espero que ele tenha o apoio do presidente, porque um ministro que não pode falar a favor da vacina, não tem como”, declarou o parlamentar.

Em relação a Bolsonaro, Marcos Pereira descartou a possibilidade de, para tentar a reeleição, o presidente, atualmente sem partido, se filie ao Republicanos. Essa hipótese foi aventada anteriormente, porque o senador Flavio Bolsonaro e o vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro fazem parte da legenda. “Deixei bem claro que não deixaria o comando do partido e é requisito do presidente para se filiar que a sigla tenha pessoas ligadas a ele na liderança”, disse.

Bolsonaro estaria em conversas adiantadas com o Partido Social Cristão e o Partido da Mulher Brasileira, que poderia mudar o nome para Partido do Meu Brasil, segundo o deputado.