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WEBINAR DO JOTA

Bruno Araújo: ‘espero que namoro de Bolsonaro e Maia não tenha separação litigiosa’

Presidente do PSDB citou como exemplo rompimentos do presidente com Moro, Bebianno, Santos Cruz e Magno Malta

Bruno Araújo
Bruno Araújo: “Não tem limite para o gasto e o endividamento neste ano. Este ano será para salvar vidas, salvar empregos”. Crédito: Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) recebeu por alguns minutos nesta quinta-feira (14/5) o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O encontro ocorre depois de críticas em sequência de Bolsonaro ao deputado. “O gesto do presidente da Câmara é louvável, é maduro. Vamos apoiar qualquer coisa que traga serenidade ao país, não vamos colocar fogo no circo”, disse em webinar do JOTA o presidente nacional do PSDB, Bruno Araújo. O tucano fez uma ressalva: “espero que esse namoro não termine em separação litigiosa, assim como ocorreu com o Magno Malta, o Bebbiano, o ex-ministro Sergio Moro e o Santos Cruz”.

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também participou do webinar do JOTA nesta quinta-feira. Para ele, o encontro entre Bolsonaro e Maia “contribui para distensionar o ambiente e encontrar soluções”.

Bruno Araújo afirmou que no curtíssimo prazo, o melhor que a política pode fazer é não atrapalhar. “A prioridade absoluta [do Congresso] é fazer chegar na ponta dinheiro para a compra de itens de primeira necessidade, como respiradores e leitos”, disse. “Não tem limite para o gasto e o endividamento neste ano. Este ano será para salvar vidas, salvar empregos”, completou.

Para Kassab, a crise mostrou que é preciso concentrar investimento público na saúde e na educação. “O dogma do ministro Paulo Guedes [de Estado mínimo] terá que ser repensado”, avaliou.

Prefeito de São Paulo entre 2006 e 2012, Kassab foi questionado sobre o rodízio de veículos adotado na cidade desde segunda-feira, que restringe a circulação a 50% da frota todos os dias. “A falta de entendimento na implantação desse rodízio está levando um número muito grande de pessoas a ocupar o transporte público”, alertou. “Está faltando entendimento nessa questão dos transportes”, prosseguiu. “Essa questão precisa de humildade por parte da Prefeitura e do governo do estado para retomar o diálogo, começar do zero, para ver onde errou nessa decisão”, disse. “Algum erro houve, ou de comunicação ou de operação. Fica claro que aconteceu um equívoco”, completou.

Ambos defenderam cautela para tratar da denúncia do ex-ministro Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro interferiu de forma política em nomeações na Polícia Federal. “A instituição do impeachment é muito séria, tem que ser usada em qualquer democracia com muita responsabilidade”, defendeu Bruno Araújo. Já no PSD, explicou Kassab, o entendimento é o de que vale a pena esperar o resultado das investigações em curso antes de um posicionamento sobre CPI ou impeachment.

Também houve alinhamento de discurso em relação às eleições deste ano. “Defendo para que seja feito um esforço para não mudar a data das eleições municipais. Se mudar, que seja no mais tardar no dia 15 de novembro”, disse Kassab. O mesmo pensa Bruno Araújo: “se as eleições não puderem acontecer na primeira semana de outubro, que ocorram ainda neste ano. Nossa torcida é pela normalidade no calendário”.

Webinars

A conversa com Gilberto Kassab e Bruno Araújo faz parte da série de webinars diários que o JOTA está realizando para discutir os efeitos da pandemia na política, na economia e nas instituições. Todos os dias, tomadores de decisão e especialistas são convidados a refletir sobre algum aspecto da crise.

Entre os convidados, já participaram do webinar estão o apresentador e empresário Luciano Huck, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro, o presidente do STF, Dias Toffoli, o ministro Gilmar Mendes, o ministro Luís Roberto Barroso, o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), a presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), o presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Fausto Pinato (PP-SP), o economista e presidente do Insper, Marcos Lisboa; além de representantes de instituições como a Frente Nacional de Prefeitos, a Confederação Nacional das Indústrias e a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho.

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