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Tecnologia & Trabalho: o futuro profissional do corretor de seguros

Corretor de seguros deve vislumbrar a inovação tecnológica como uma aliada e não como uma inimiga

Crédito: Pixabay

Os processos de inovação tecnológica estão reconfigurando diversos mercados profissionais, incluindo os mais tradicionais, como o de seguros. Em outubro de 2018, o Programa de Cadastro de Insurtechs, da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico mapeou a existência de 78 (setenta e oito) insurtechs atuando no mercado, o que vem gerando novas modelagens de ofertas, distribuição e contratação de seguros.

Insurtech é o termo criado a partir da junção das primeiras letras das palavras Insurance (seguros) e Technology (tecnologia), servindo para indicar as startups que atuam especificamente no mercado segurador, o qual representa cerca de 6% do Produto Interno Bruto no Brasil (CNseg, 2019).

A Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), autarquia reguladora do mercado de seguros, observando o crescimento das Insurtechs no Brasil, criou em 2017 a Comissão de Inovação e Insurtech com a finalidade de estudar e discutir temas referentes à tecnologia e inovações relacionados ao mercado de seguros, cujos frutos começaram a ser percebidos mais recentemente.

Desde agosto de 2019, a SUSEP vem emitindo Circulares que permitem novas formas de contratação, como a Circular nº 592 publicada em 29 de agosto de 2019 no Diário Oficial da União que autorizou a contratação de seguros de forma temporária, por semanas, dias, horas ou minutos, contrapondo-se a clássica apólice anual, além de permitir o seguro intermitente, cuja cobertura é definida em intervalos previamente estabelecidos pelo segurado.

Assim, um consumidor que utiliza seu veículo apenas aos finais de semana, ficando o mesmo estacionado em sua garagem nos demais dias pode contratar um seguro de automóvel cuja cobertura ocorra apenas quando se der à efetiva utilização, ficando os outros dias, nos quais não se utiliza o veículo, sem a cobertura securitária.

A forma de contratação por minutos, segundo reportagem da revista Exame, publicada em 17 de setembro de 2019, reduz em até 80% o preço do seguro quando comparado ao seguro tradicional, em decorrência do menor tempo de cobertura da exposição ao risco, o que afeta a sinistralidade e impacta no preço, possibilitando um maior acesso dos consumidores a esse tipo de proteção.

Por seu turno, a Carta Circular Eletrônica nº 2/2019/SUSEP publicada em 16 de setembro de 2019 deixou claro que em casos de contratação direta de seguros, o recolhimento de comissão é opcional. Vale lembrar que o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indica que o Brasil possui um dos maiores percentuais de comissão em relação ao prêmio, o qual se encontra em torno de 9,77%. Quando se exclui o produto Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), o percentual de relação de comissão/prêmio se eleva a 19,80%, conforme se observa pelo gráfico abaixo:

A possibilidade de contratação de seguros de forma direta por meio de plataformas digitais de uma gama de produtos que podem ser customizados de forma rápida e totalmente virtual pelo consumidor, em um contexto de utilização de bots para realização da maior parte das atividades da empresa aliada ao uso de inteligência artificial e de Machine Learning para desvendar costumes e características dos consumidores, obrigará a uma adaptação do corretor de seguros para sobreviver no novo cenário que se desvela.

O corretor de seguros ainda hoje é a força motriz da distribuição de seguros, mas os novos consumidores, formados por gerações de millennials e Z são cada vez mais afetos a contratações online em detrimentos das presenciais e demandam uma nova forma de relação comercial, principalmente se essa relação proposta for mais dispendiosa do que uma contratação online direta por aplicativo em uma plataforma digital.

O corretor de seguros que permanecer na zona de conforto, replicando fórmulas padronizadas ao longo de décadas de atuação crendo que as ondas inovativas passarão ao largo estará fadado à extinção.

Novas competências como a comunicação e o marketing via mídias digitais, a atualização constante principalmente para conhecer os produtos que surgirão no mercado frente aos novos riscos como os cibernéticos, e um compromisso de garantir uma experiência positiva ao cliente ofertando produtos customizados com base em análise prévia de dados e fidedignos as necessidades reais do segurado, são condições fundamentais para a evolução desse profissional no novo cenário que se aproxima.

O corretor de seguros deve vislumbrar a inovação tecnológica como uma aliada e não como uma inimiga, pois essa tem o poder de ampliar mercados, reduzir custos e eliminar burocracias, podendo transformar o corretor de seguros em um brokertech, o que não somente permitirá sua permanência no mercado, como também possibilitará seu crescimento em um setor que está à beira da disrupção e com potencial de autorregulação.

 

Referências

Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico. Programa de Cadastro de Insurtechs. Disponível em <https://www.camara-e.net/2018/10/25/sao-paulo-concentra-6207-das-insurtechs-brasileiras-revela-pesquisa-da-camara-e-net>. Acesso em out.2019.

Confederação Nacional de Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg). Propostas do Setor Segurador Brasileiro 2019-2022. Disponível em: <http://cnseg.org.br/data/files/D1/67/0B/E5/F7E7A61069CEB5A63A8AA8A8/Propostas%20do%20SETOR%20SEGURADOR%20BRASILEIRO%20%202019%20%202022.pdf>. Acesso em out.2019.

Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Circular Susep nº 592, de 29 de agosto de 2019 – Dispõe sobre a estruturação de planos de seguros com vigência reduzida e/ou com período intermitente.sobre vida em grupo popular. Disponível em: <www.susep.gov.br/textos/circ692.pdf>. Acesso em: out. 2019.

__________. Carta Circular Eletrônica nº 2, de 16 de setembro de 2019– Recolhimento de comissão nas contratações efetuadas diretamente entre seguradora e segurado. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/setores-susep/noticias/noticias/CARTA%20CIRCULAR%20SUSEP%202-%202019.pdf>. Acesso em: out. 2019.

__________. Relatório OCDE sobre o recolhimento de comissão nas contratações efetuadas diretamente entre seguradora e segurado. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/setores-susep/noticias/noticias/relatorio-ocde-2017-comissao-premio.png>. Acesso em out. 2019.

Revista Exame. Seguro de carro por minuto é até 80% mais barato do que o tradicional. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/seguro-por-minuto-pode-ser-ate-80-mais-barato-que-tradicional/>. Acesso em out.2019.


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