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Qual a hora certa de deixar o escritório para ingressar no mundo corporativo?

Em geral, headhunters não recomendam início de carreira em departamento jurídico de empresa

Crédito: Pixabay

Ao se formar, se não for pensar fora da caixa e empreender, o bacharel em Direito tem três grandes caminhos para seguir: concurso público, advogar em escritórios ou atuar na advocacia corporativa. Uma dúvida muito comum entre os que se interessam pela terceira opção é: qual seria o momento adequado para ingressar no mundo corporativo?

Segundo Ricardo Chazin e Dennis Mello, headhunters da Laurence Simons, consultoria especializada em recrutamentos da área jurídica, um jovem advogado deve ter uma boa experiência em escritório antes de se aventurar na advocacia corporativa.

“Acho ruim começar a carreira em empresa. Ela é muito lenta, não é muito dinâmica e o profissional terá menos contato com a técnica. Para a formação jurídica é muito importante a redação, o contato e a formulação de peças. E isso você vai ter nos escritórios”, diz Chazin.

“O tempo até pode ser abreviado se a pessoa estagiou desde o início da faculdade em escritório, mas seria adequado pelo menos cinco anos de experiência antes de uma migração”, opina Mello.

A exceção a essa recomendação, diz Mello, é se o departamento jurídico for bem estruturado. “Numa grande empresa, por outro lado, o jovem terá contato não só com a técnica, mas também com assuntos estratégicos do negócio. E isso pode ser muito interessante”, afirma.

Carimbador de papel?
Como em escritórios a função do advogado é o coração do negócio, o número de vagas obviamente é muito maior do que em empresas. Em torno de 75% dos profissionais atuam neste ramo da advocacia. “Em geral, a estrutura de departamento jurídico de uma empresa é pequena, tem um diretor e quatro advogados. São poucas que têm estruturas maiores, com 50 advogados, por exemplo”, conta Mello.

O mercado, segundo ambos, mudou muito nos últimos anos. Os advogados corporativos eram vistos como carimbadores de papel que, apesar de falarem não para tudo, apenas obedeciam a área comercial.

“Hoje é uma posição muito estratégica. Um executivo da área jurídica, tem que sentar com o CFO (Chief Financial Officer) e discutir, além de saber ler, o balanço. Ele vai lidar com a área comercial, com o marketing, com o RH e circular 360 graus na empresa”, analisa Mello.

Por isso, segundo o consultor, é muito mais enriquecedor para um profissional interessado nesta área fazer um MBA (Master of Business Administration) em vez de um LLM (Mestrado em Direito).

E para quem está começando?
A principal dica de Chazin é: faça uma faculdade excelente. Segundo o consultor, são poucas as áreas em que a formação é tão importante como no mundo jurídico.

“A advocacia é muito tradicional e o mercado é muito preconceituoso e já descarta logo no começo. Quem se formou numa faculdade ruim, dificilmente vai chegar onde o cara da USP chegou. A chance é quase zero”, diz.

Isto porque os escritórios premium dificilmente contratam estagiários de faculdades que não sejam de primeira linha. “Um estudante, que estudou numa faculdade de segunda linha e vai para um escritório menor, vai ter um incremento na qualidade técnica inferior a quem está no Pinheiro Neto, por exemplo”.

Para conseguir quebrar essa barreira do preconceito, é essencial o investimento num excelente curso de inglês. “O inglês é um impeditivo no mercado. Não adianta fazer LLM em Direito Societário se você não tem um inglês para redigir um contrato, escrever um memorando, tocar um call e explicar como está uma ação. Isto é essencial para qualquer advogado”.


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