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Investigador corporativo: trabalho preciso e objetivo

Investigação empresarial busca os fatos, sem julgamento e com apoio de diversas disciplinas

investigador corporativo
Crédito: Pixabay

Quando pensei em entrar na faculdade de Direito, não tinha a advocacia em mente. Meus planos estavam no serviço público, possivelmente na Polícia Federal. Durante o curso, meus interesses eram o Direito Penal, — um dos assuntos preferidos dos alunos de graduação —  e o Societário — uma área incomum para o recém-chegado ao mundo universitário, mas que para mim, já formada em relações públicas, fazia sentido.

Aos poucos, a ideia de me juntar à Polícia Federal perdeu espaço para o meu interesse por compliance anticorrupção e investigação corporativa, que apresentavam um desafio mais adequado às minhas características. Ambas as profissões têm como fundamento o rigor no trato com os fatos e com os dados levantados em uma investigação. No entanto, atuar no âmbito corporativo não concede ao investigador o amplo acesso aos dados como na esfera pública, além de ter um senso de urgência diferenciado.

Uma diferença considerável do trabalho do investigador corporativo em relação ao da autoridade policial está no fato de que os profissionais privados não possuem poder de polícia. Esta é uma distinção relevante, por exemplo, na fase de coleta documental e de entrevistas com pessoas envolvidas com o caso.

Outra diferença está na entrega. Após uma investigação feita pela Polícia Federal, o Ministério Público pode apresentar uma denúncia, o que não ocorre nunca na investigação privada. No nosso dia a dia, não há acusações. Não emitimos opinião, tampouco recomendamos ações a serem tomadas pelo cliente. O que se entrega são apenas os fatos, e é o cliente quem decide o que será feito deles. Assim é o trabalho na Kroll.

A Kroll é uma empresa conhecida por sua atuação em investigação corporativa que atua para descobrir e mitigar irregularidades já ocorridas e fornecer soluções de prevenção a seus clientes por meio de treinamento e suporte ao compliance interno, avaliação de maturidade do programa, avaliação de riscos, dentre outros. Se o cliente prefere não ter o seu próprio compliance officer, por exemplo, a Kroll também pode prestar essa assistência.

Outra capacidade da empresa é a de realizar a checagem de antecedentes de possíveis parceiros comerciais antes de o cliente entrar em acordo comercial ou mesmo de contratar alguém na alta direção. Num caso de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês), por exemplo, há uma preocupação em analisar risco à reputação do comprador.

Pareceres jurídicos não estão no escopo do trabalho do investigador. É o advogado contratado para o acompanhamento da investigação quem reveste as informações factuais de conclusões e avalia o impacto jurídico das decisões a serem tomadas.

A carreira do investigador corporativo tem se tornado mais atrativa entre os estudantes de Direito porque, com a Operação Lava Jato, as iniciativas de compliance e investigação interna foram ampliadas no mundo corporativo brasileiro. Mas, apesar de o modo de raciocinar de um advogado ser uma grande ferramenta inicial, a carreira de investigador não é exclusiva para advogados.

Equipes multidisciplinares são um ativo muito valioso na condução de uma investigação: as equipes contam com economistas, administradores, contadores, engenheiros, jornalistas, profissionais da área de informática, e de diversas outras áreas. A soma das experiências e de conhecimento só beneficia o trabalho investigativo.

A vida profissional do investigador corporativo tem suas etapas e suas características próprias. Trata-se de um trabalho customizado em que não há solução de prateleira. Cada caso tem suas demandas específicas, e uma equipe multidisciplinar proporciona ganhos de eficiência. Dito isto, embora não seja um bastião exclusivo dos advogados, o modo de pensar de quem opera o Direito ajuda a organizar todos essas múltiplas contribuições. Afinal, para que se possa chegar à justiça, é preciso ter uma apreensão sólida e objetiva da realidade.

O caminho na Kroll para quem ingressa na carreira de investigador corporativo começa no estágio. A ideia é que o estagiário logo esteja pronto para lidar com o grau de complexidade e seriedade do trabalho e das análises que um associate faz – associate sendo o passo seguinte na carreira na empresa. Em seguida é possível evoluir para os cargos de senior associate, associate director, director, senior director, associate managing director, e managing director. A diferenciação entre esses postos está no acúmulo de maior expertise técnica e dasfunções de gestão de equipes, gerenciamento das expectativas do cliente e controle de orçamentos.


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