Carreira

Estudar Direito Fora

Como é estudar na Harvard Summer School?

Findo o período de 2 meses em Massachusetts, voltei para o Brasil com uma nova perspectiva sobre a profissão

Langdell Hall, Harvard Law School, Cambridge MA. Wikimedia Commons

Muito me honrou o convite do professor Dellore para compartilhar, aqui no JOTA, minha experiência educacional internacional, a qual pude vivenciar junto à Harvard Summer School, onde fiz o curso Mergers, Acquisitions, and Restructurings, no ano de 2017.

Neste pequeno texto, darei algumas perspectivas a respeito do programa summer abroad, mencionarei algumas estratégias que podem ser utilizadas para que a experiência seja profícua aos colegas e, por fim, exporei minha percepção sobre o curso.

Antes, porém, necessário é que eu me apresente devidamente e revele quais foram os motivos que me levaram à Universidade de Harvard.

Fui criado em Jacutinga, no interior de Minas Gerais, e me graduei em Direito pela Universidade Federal de Uberlândia, onde exerci a advocacia por aproximadamente um ano e meio. Desde adolescente, eu sempre tive o sonho de estudar fora ou, ao menos, fazer um intercâmbio e obter uma experiência internacional. Ademais, quando já formado, eu me sentia muito “escondido” no triângulo mineiro – do mundo e das possibilidades que a carreira de advogado poderia proporcionar em um grande centro.

Foi essa percepção que me levou a buscar uma opção de experiência internacional que tivesse o condão de catalisar minha carreira, mas que ao mesmo tempo coubesse no bolso de um advogado recém-formado.

No momento em que decidi fazer o intercâmbio, eu já sabia onde eu queria chegar (isso pode parecer óbvio, mas é o principal gargalo que minha geração enfrenta): eu queria trabalhar com Direito Empresarial na cidade de São Paulo.

A partir dessa percepção, a opção por pela Harvard Summer School me parecia óbvia, afinal se tratava um programa de dois meses em uma das mais renomadas universidades do mundo – e estava dentro do orçamento.

Cumpre ressaltar que existem oportunidades nas mais diversas áreas do conhecimento, sobretudo no ramo do Direito e dos Negócios.

Dentre as mais de cem opções de cursos disponíveis, a disciplina Mergers, Acquisitions, and Restructurings foi a que me cativou, exatamente por ser da minha área de interesse profissional.

O processo de seleção é razoavelmente simples. O período de inscrição se inicia no dia primeiro de março, sendo que o critério de aprovação da sua candidatura se dá por ondem de submissão.

Com a aprovação da inscrição, é necessário obter a proficiência em Inglês e o visto de estudante e definir a opção de alojamento, tudo pelo próprio site da universidade1.

Uma vez que organizei todos esses detalhes, parti para uma das experiências mais sensacionais da minha vida.

O curso durou sete intensas semanas. Eram duas aulas de três horas por semana, para as quais teríamos que nos preparar com antecedência, bem como fazer todos os exercícios de fixação para termos condição de acompanhar o raciocínio do professor e participar ativamente das aulas. A participação equivale entre dez e vinte por cento da nota total do curso.

Houve duas situações extraordinárias durante meu período em Boston que valem à pena destacar.

A primeira experiência foi participar um seminário ministrado pelo Vice-Presidente de Novos Negócios da IBM, Sr. Michael Loria, tendo a oportunidade de conversar pessoalmente com ele e ouvindo várias dicas sobre o mercado.

A segunda situação muito interessante foi participar de um campeonato de futebol da Harvard Summer School, do qual nosso time se sagrou campeão, apesar das minhas lastimáveis habilidades futebolísticas.

Findo o período de dois meses em Massachusetts, voltei para o Brasil com uma nova perspectiva sobre a profissão e sobre o mundo, como era de se esperar.

Depois do retorno ao Brasil, após trabalhar durante aproximadamente um ano Direito da Insolvência, finalmente veio a grata oportunidade de trabalhar com Fusões e Aquisições.

Com relação às perspectivas específicas em relação ao curso que realizei, trata-se em síntese de uma apresentação do panorama que o operador ou gestor de uma operação de M&A deve observar para o sucesso da transação, seja do ponto de vista financeiro, contábil, jurídico, antitruste, tributário e gerencial.

O curso – vinculado à Harvard Business School – tratou de uma aproximação integrada do processo, das ferramentas e soluções para a geração de sinergias através de reestruturação societária e transações de M&A, por meio da análise de cases.

Algo que me chamou a atenção foram alguns estratagemas que estudantes do mundo todo utilizam para ingressar na Universidade de Harvard por meio do Summer School.

Nesse sentido, o programa é uma ótima porta de entrada no universo acadêmico norte-americano sem a necessidade de passar por um penoso processo seletivo e uma sangria tão grande na sua conta bancária.

A estratégia é a seguinte: concluídas quatro disciplinas na Harvard Summer School, você está apto a gerar um certificado de pós-graduação lato sensu na sua área de concentração conferido pela Harvard Extension School, o que te torna elegível para galgar uma vaga no programa de Master in Liberal Arts pela universidade.

Um detalhe relevante é que a Harvard Law School saiu desse programa, restando apenas opções – que ainda assim são muito interessantes – na área de gestão e negócios.

Aliás, em conversa com o Dr. Kevin Wall, renomado advogado e contador no Estado de Massachusetts e professor do curso sobre Fusões e Aquisições do qual participei, descobri que o programa de LLM (a pós-graduação específica para a área do Direito) em Harvard é voltado mormente para área de direitos humanos e direito internacional público.

Ressalta-se ainda que os créditos resultantes do curso de verão podem ser aproveitados pela instituição de ensino superior brasileira da qual o colega faça parte, sobretudo se essa possuir convênio com Harvard, a exemplo da Fundação Getúlio Vargas.

Do ponto de vista da minha percepção, posso dizer que um programa de intercâmbio acadêmico importou na melhor escolha que poderia fazer para o momento.

Tive a oportunidade de conviver com mentes brilhantes do mundo dos negócios, compartilhando conhecimentos e experiências.

Trata-se, para o profissional fluente em inglês, de um investimento que oferece um retorno bastante relevante.

No tocante à relação custo-benefício, tendo em vista a possibilidade do aproveitamento de créditos acadêmicos, da inclusão da marca “Harvard” no currículo, da convivência com profissionais notáveis de todo o mundo e do desenvolvimento do idioma, a realização de um curso de verão na Universidade de Harvard é salutar, seja para o acadêmico, seja para o operador do Direito.

Ciente de que não há fórmulas mágicas, perfeitas e acabadas para o sucesso profissional, cabe a nós estarmos sempre antenados nas oportunidades que se apresentam. Afinal, estar estagnado é perder espaço.

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