Sócios do escritório Madrona Advogados Crédito: Divulgação

‘Área trabalhista registrou maior número de vitórias para empregador’

Para Madrona, empresas de saúde, educação, varejo, TI e financeiro devem ser as grandes tomadoras de serviços em 2018

No ano que foi marcado pela reforma trabalhista, o escritório Madrona Advogados considerou que a área surpreendeu e identificou que mais empresas saíram vencedoras em processos na Justiça do Trabalho.

Em relação ao mercado advocatício, os sócios acreditam na consolidação das grandes bancas e aposta nos setores de saúde, educação, varejo, TI e financeiro como os grandes tomadores de serviço de 2018.

Quanto a novas leis, além reforma da Previdência, o escritório acredita no avanço de uma nova Lei de Licitações Públicas, que há tempos é esperada, e na Lei Geral de Agências Reguladoras.

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Leia as respostas dos sócios do Madrona:

Quais áreas registraram crescimento e garantiram faturamento em 2017?

De modo geral todas as áreas do escritório apresentaram crescimento. As áreas de M&A e Tributária continuaram muito ativas, ganhando expressividade em casos complexos.

No segundo semestre as áreas de mercado de capitais, financiamento, regulatório e infraestrutura responderam ao aquecimento do mercado, aumentando de modo considerável seu faturamento.

Nossa área de arbitragem cresceu em 30% em número de processos em relação ao ano passado, assumindo papel importante no faturamento do escritório.

Com a vinda do novo sócio da área Imobiliária, além do reaquecimento do mercado, os projetos e assessoria no setor cresceram em relação a 2016.

A área trabalhista surpreendeu em 2017. De um lado, em função das consultas decorrentes da reforma trabalhista, e de outro, pelos ganhos importantes por parte do empregador.

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Quais áreas tiveram retração em 2017?

Não sentimos qualquer retração significativa nas áreas. Felizmente, todas as áreas apresentaram crescimento em 2017, especialmente no segundo semestre do ano.

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Os dois movimentos surpreenderam o escritório ou os avanços e recuos eram esperados nestas áreas?

Novamente, nossa projeção de crescimento no início do ano foi mais conservadora ainda em função da crise político-econômica enfrentada pelo país. De toda sorte, começamos 2017 otimistas com nossos bons resultados em 2016, especialmente com a consolidação da nossa marca e reconhecimento de pares e clientes.

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Quais as grandes vitórias da banca em 2017 tanto no Judiciário quanto no âmbito administrativo? 

Tivemos vitórias na esfera tributária administrativa em casos grandes e complexos, como, por exemplo, na defesa de R$ 1 bilhão da Alteix no Carf.

Na esfera trabalhista verificamos um maior número de vitórias pelo empregador.

Assessoramos projetos importantes e emblemáticos na área de fusões e aquisições, como a venda da Mãe Terra para Unilever e a aquisição da Vallé pela Merck.

A área de Mercado de Capitais está no topo dos principais rankings nacionais de operações financeiras estruturadas (emissões de CRI, CRA, FIDC e Fundos Imobiliários). Em 2017 atuamos em mais de 15 operações que, em valor de emissões, superaram a marca de R$2,5 bilhões, incluindo as ofertas públicas de CRI da Helbor e de CRA da Usina Colorado, os Fundos Imobiliários de papel da Valora e da RB Capital, e o FIDC de precatórios da Jive Investments.

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E as derrotas mais sentidas?

Felizmente o escritório não teve grandes derrotas em 2017.

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O que esperava que aconteceria neste ano que na prática não se concretizou?

Sentimos bastante a suspensão do projeto de privatização da CESP – Companhia Energética de São Paulo, não obstante nossa participação na modelagem do projeto ter sido bastante rica ao escritório, e acreditarmos na sua concretização no início de 2018.

Também a assinatura do contrato com o BNDES da privatização da Copergás, cujo leilão saímos vencedores, ainda não ocorreu. Outros projetos de privatização, como Codesa, e as subsidiárias da Eletrobrás, igualmente ficaram para 2018.

O escritório investiu bastante no incremento de sua base de clientes estrangeiros, especialmente asiáticos. Ainda assim, muitos investidores estrangeiros apesar de estarem olhando o mercado brasileiro, ainda estão inseguros no investimento efetivo.

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O escritório aposta em quais áreas para crescer em 2018?

O escritório contratou a Deloitte Touche Tohmatsu para construir um planejamento de 5 anos, visando o crescimento e posicionamento adequado no mercado. Esse planejamento contempla a transformação do escritório em full service, sem perder a qualidade e o atendimento personalizado aos seus clientes. Portanto, o Madrona Advogados irá buscar preencher áreas que ainda não existem e fortalecer práticas já existentes e que sejam estratégias.

Nesse sentido, apostamos no crescimento da área de mercado de capitais e financiamento e, para isto, o escritório pretende trazer um novo sócio para reforçar a área ainda nos primeiros meses de 2018. Infraestrutura e regulatório de energia continuam dentre as nossas apostas, tal como a consolidação de nossa prática nas áreas de M&A, tributário,  arbitragem e atuação junto às companhias abertas em questões societárias e regulatórias (CVM/Anbima).

Ainda, com a abertura do escritório de Brasília, prevista para janeiro de 2018, estamos apostando na nossa atuação junto as agências reguladoras, tribunais  superiores e CARF.

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Quais as perspectivas para o mercado de advocacia em 2018 num contexto ainda de instabilidade política e econômica?

Permanecemos otimistas na expansão do mercado, especialmente como resultado do avanço dos índices econômicos. Acreditamos na consolidação de grandes bancas, capazes de oferecer uma gama de serviços jurídicos completos a atender as demandas dos clientes. Alguns setores como saúde, educação, varejo, TI e financeiro devem ser os grandes tomadores de serviços no ano de 2018.

Em 2017, vários escritórios apareceram nas delações da JBS sob acusação de emitirem notas falsas e outros advogados foram acusados de intermediar propina por outros delatores. A imagem da advocacia saiu arranhada neste ano? 

O escritório não teve qualquer acusação nesse sentido, tampouco teve seu nome ou imagem relacionado aos fatos ocorridos.

Quais as perspectivas do escritório sobre o Judiciário em 2018?

Entendemos que 2018 será um ano desafiador para o Judiciário que tem dentre as suas principais metas a prioridade no julgamento dos casos de corrupção e improbidade administrativa, bem como os processos dos maiores litigantes, os recursos repetitivos, processos coletivos e impulsionar as execuções.

A busca pela entrega da célere e adequada prestação jurisdicional não é recente, mas a fixação, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de metas nesse sentido se mostra de suma importância. Visando o atingimento das metas pelo Judiciário, é possível que haja maior celeridade no trâmite dos processos em primeiro grau e nas instâncias recursais, havendo, portanto, uma melhora na prestação jurisdicional no tocante ao prazo, refletindo positivamente na advocacia contenciosa.

2017 o ano da reforma trabalhista. E em 2018, que lei será o destaque?

Além da reforma da Previdência, acreditamos que pode avançar no Congresso uma nova Lei de Licitações Públicas – há tempos esperada, e a Lei Geral de Agências Reguladoras.

Existe ainda expectativa para a introdução de micro reformas tributárias, com a simplificação das obrigações acessórias dos contribuintes e a unificação do PIS e da COFINS.

A mudança na forma de tributação nos fundos de investimentos deverá gerar grande impacto na arrecadação, assim como a majoração da alíquota do ITCMD em diversos Estados da federação, conforme já verificamos em 2017.

Raio-x do escritório

Crescimento: 30%
Número de Sócios: 10 sócios
Número de Advogados: 97 profissionais do Direito, dos quais são 77 advogados

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