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Com Amazônia e Pantanal em chamas, 100 mil pessoas se mobilizam, mas sem meta concreta

Lobby cidadão é poderoso, especialmente quando tem uma demanda objetiva para os governantes

Resgate de onça-pintada vítima de incêndio no Pantanal | Foto Willian Gomes / Secomm UFMT

Outra vez a Amazônia está em chamas. Imagens do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram um recorde de focos de calor. No Pantanal, a situação é a mesma. Em torno de 12% do bioma já foi consumido pelo fogo este ano. Frente a um governo que não deixa dúvidas quanto ao seu descaso pela proteção ao meio ambiente, um exército de ativistas está se preparando para a ação. No dia 7 de setembro, o Greenpeace anunciou via Twitter que sua campanha #TodosPelaAmazônia havia ultrapassado a marca dos 100.000. São 100.000 cidadãos que querem uma política de preservação da Amazônia que não passa pela legalização de terras públicas invadidas e desmatadas ilegalmente (MP 910), pela legalização do garimpo em terras indígenas (PL 191/20) ou pelo enfraquecimento do órgão fiscalizador do meio ambiente, o IBAMA.

A campanha também busca engajar a comunidade Tik Tok. Ao som do rap Choices de Earl Stevens (E-40), os vídeos apontam para a realidade nua e crua das nossas opções: desmatamento x floresta, queimadas x proteção, dia do fogo x financiamento do Instituto Chico Mendes (ICMBio); o nope e yup do rap. Na mesma linha, a Articulação dos Povos Indígenas (APIB) produziu um vídeo em inglês que está circulando nas mídias sociais e que pergunta: “De que lado você está: Amazônia ou Bolsonaro?” A opção binária simplifica o processo de escolha e identifica o vilão da história, mas não oferece um próximo passo. As eleições presidenciais são em 2022.

Bruxelas também está na mira do Greenpeace. A ONG pendurou uma faixa enorme no prédio da Comissão Europeia alertando para os incêndios na floresta Amazônica. A faixa, que diz “Europa tem culpa”, vem com dois dispositivos que soltam fumaça, criando um impacto visual importante para aqueles longe da fumaça das queimadas. Em meio às negociações para a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia, a pressão ambientalista pode complicar o processo.

Na plataforma global change.org, uma petição para impedir o desmatamento e a exploração da Amazônia já soma mais de 6 milhões de assinaturas. A petição tem como objetivo “noticiar tais órgãos dos perigos que as nossas matas estão correndo para que tomem uma posição sobre e devidas providências”.

O problema aqui é o mesmo: falta o chamado à ação. 6 milhões é um número impressionante e passa um recado claro para quem quer que seja de que sociedades se preocupam com o meio ambiente. No entanto, pedir para que o governo brasileiro “tome as devidas providências” abre espaço para medidas paliativas e de baixo impacto, já que cada um têm sua própria definição do que seja “devida”.

Celebridades também se manifestaram nas redes sociais sobre as queimadas, alertando seus seguidores e pedindo apoio à causa. A cantora Anitta foi além. Ela usou sua conta no Instagram para criticar o Presidente Bolsonaro pelas risadas na reunião ministerial com uma YouTuber mirim quando ela é instada pelo Presidente a perguntar ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre os incêndios no Pantanal. Uma cena no mínimo bizarra considerando a seriedade da questão. Mas continuamos sem os próximos passos.

Nos EUA a Deputada por NY, Alexandria Ocasio-Cortez, canalizou as demandas da sociedade por ações concretas que endereçam o aquecimento global via seu Green New Deal. Longe de ser perfeito, a Resolução oferece um ponto de partida para o debate. Na mesma linha, o Deputado Molon (PSB/RJ) recentemente apresentou o PL 3961/20 que decreta o estado de emergência climática no país, prevê a neutralização das emissões dos gases estufa até 2050 e cria políticas de transição para uma economia verde. O PL pode ser o nosso ponto de partida. A sociedade parece pronta a agir e a força do lobby cidadão nas redes sociais pode ser fator decisivo. A Amazônia e o Pantanal estão sem opção.


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