Jazz

palavras solitárias

Tom Harrell: A arte da melodia no jazz

Infinity é o novo álbum do trompetista à frente de quinteto com sax tenor e guitarra

O trompetista Tom Harrell costuma usar palavras solitárias para intitular suas composições. Também é particularmente econômico no seu fraseado, muito embora tenha chops suficientes para exibições de técnica tão a gosto de outros grandes pistonistas mais extrovertidos. Leio que, recentemente, quando o pianista Bill Charlap com ele se apresentou no clube Jazz Standard, em Manhattan, fez questão de se dirigir à plateia nos seguintes termos: “É uma honra e um privilégio dividir o palco com um homem que é “a living breathing melody”.

Aos 72 anos, Harrell exibe uma discografia como líder de mais de 30 itens, dos quais 11 gravados para a etiqueta HighNote desde 2007. No ano passado, foi nomeado “Trumpeter of the Year” pela Jazz Journalists Association. E continua a criar atmosferas melódicas de luminosidade rara, sem nenhum traço de sentimentalismo, que podem (e devem) ser desfrutadas no novo álbum Infinity, do mesmo selo novaiorquino, já disponível nas lojas e plataformas virtuais.

Nesta seleção de 10 faixas, o trompetista está à frente de um quinteto, na ótima companhia de Mark Turner (sax tenor), Charles Altura (guitarra), Ben Street (baixo) e Jonathan Blake (bateria). O percussionista Adam Cruz atua em Hope (7m30). O release de lançamento de Infinity assinala tratar-se do primeiro disco de um combo de Harrell no qual o piano é substituído pela guitarra. E é também a primeira vez em que o trompetista-compositor se serve de overdubs, mais explicitamente em Duet (1m40), que é um dueto com ele mesmo. “A música de Infinity tem algumas texturas interessantes com múltiplos overdubs de guitarra. É uma coisa que eu nunca tinha feito antes. Estava tentando algumas ideias harmônicas novas para mim” – explica.

Tempos atrás, em artigo no New York Times, o respeitado crítico Ben Ratliff sintetizou, com especial inspiração, a arte de Tom Harrell: “Ele pode tocar lenta e rapidamente, às vezes numa mesma single line. Mas sua improvisação é sempre temperada e proporcional. Ele mantém o ouvinte sempre cativo, mas sem chamar a atenção, sem gritar, sem ‘parar o relógio’”.

As duasprimeiras faixas do CD Infinity são exemplares nesse sentido: The fast (6m40) é um tema tipicamente bopdesenvolvido num fraseado alembrar, aqui e ali, a arte do esquecido Kenny Dorham (1924-1972), que foi uma das primeiras influências do jovem Miles Davis; Dublin (9m40),em tempo médio, é a mais longa do “menu”, com abertura e participação ativa de todos os membros do quinteto, incluindo a guitarra de Altura. Em Blue (5m40), destaque especial para o solo do grande tenorista Mark Turner.

(A faixaThe fast pode ser ouvida na íntegra em: soundcloud.com/highnote-savant-records/the-fast)

(Samples detodas as faixas de Infinity em: itunes.apple.com/us/album/infinity/1452917759)


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