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Para Carla Bley, a vida (sempre) continua

Aos 81 anos, a jazz master lança novo álbum em trio

Carla Bley / Crédito: Divulgação

Aos 81 anos, a compositora, arranjadora e pianista Carla Bley continua ativa, criativa e cultuada como uma das mais brilhantes estrelas no céu do jazz. No último referendo anual dos críticos do mundo todo promovido pela referencial revista Downbeat (agosto 2019) ela secundou, mais uma vez, a imbatível Maria Schneider nas categorias best composer e best arranger. Em ambas, derrotando barbados tão ilustres como Wayne Shorter, Terence Blanchard e Wynton Marsalis.

La Bley ‘‘estourou’’ nas décadas de 1980-1990, à frente da sua borbulhante e às vezes irreverente big band, com o sucesso de uma série de cinco álbuns editados pelo consórcio Watt-ECM: Live!Fleur Carnivore, The Very Big Carla Bley BandBig Band Theory e Appearing Nighty. Mas, desde 1994, ela nunca deixou de se apresentar e de gravar, como pianista-compositora, à frente de um trio mais ‘‘camerístico’’ ao lado de dois outros grandes músicos: o baixista (elétrico) Steve Swallow – com quem vive há muitos anos – e o saxofonista (tenor e soprano) Andy Sheppard (Cf. Songs with Legs, 1995, Watt-ECM).

Essa trinca de ases – depois de Trios (2013) e Andando el Tiempo (2015) – voltou às lojas e plataformas virtuais, nesta sexta-feira (14/2), com o álbum Life Goes On (ECM), gravado por Manfred Eicher, em maio do ano passado, num auditório de Lugano, Suíça.

O novo registro – com cerca de uma hora de música refinada – é um conjunto de três ‘‘suítes’’. A primeira começa com a faixa-título (6m) e as três outras partes são: On (4m45), And on (4m10) e And then one day (9m). A segunda ‘‘suíte’’ , Beautiful telephones, tem três segmentos num total de 16 minutos. A terceira, Copycat (mais de 15 minutos), é também dividida em três ‘‘movimentos’’ .

Na abertura da primeira ‘‘suíte’’, o piano da líder, nas notas graves, e o baixo de Swallow, sempre alerta, criam logo uma atmosfera bluesy, que leva a um langoroso solo de quase três minutos de Sheppard no sax tenor. Mas na peça de encerramento, Copycat (9m50), o clima é até dançante, com o saxofonista bem expansivo no soprano. Como anotou o reviwer Jim Macnie, na edição de março da Jazz Times (já disponível para os assinantes virtuais), ‘‘a química do grupo é ultra refinada’’, e ‘‘a cuidadosamente calibrada troca de tarefas entre os seus membros gera uma música improvisada de serenidade única, quase camerística’’.

O saxofonista Andy Sheppard, 66 anos, jazzman britânico de renome internacional, definiu o seu disco Romaria, que gravou para a ECM em 2017, à frente de um quarteto europeu, como um ‘‘mood capturado no tempo’’, acrescentando que ‘‘os álbuns musicais deviam ser ouvidos como um todo, apreciados em sua inteireza como se fossem livros’’.

Este dictum pode e deve ser aplicado a esta nova obra do trio que em que ele se destaca, como sempre, ao lado do grande Steve Swallow, ambos sob o comando da ‘‘escritora’’ Carla Bley – jazz master assim consagrada pela National Endowment for the Arts (NEA), em 2015.

Ouça a faixa de abertura de Life Goes On:

(Samples deste álbum em: https://www.prostudiomasters.com/featured/genre/jazz/new#quickview/album/53741)


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