Jazz

Acordeonista

Duo Coscia-Trovesi homenageia jazzófilo Umberto Eco

Acordeonista e clarinetista inspiram-se na novela da Rainha Loana

Crédito: divulgação

O acordeonista Gianni Coscia, 87 anos, e o clarinetista Gianluigi Trovesi, 74, são estrelas de primeira grandeza que continuam a brilhar no céu do jazz europeu. Lá se vão duas décadas eles gravaram em duo o CD In Cerca di Cibo para a etiqueta ECM. Seguiram-se os discos Round About Weill (2004) e Brother Jacques: Round About Offenbach (2009).

Quem escreveu as liner notes daqueles primorosos álbuns foi o célebre filósofo, semiólogo e ficcionista Umberto Eco (1932-2016), que foi colega de escola e se tornou muito amigo de Coscia, também nascido lá no Piemonte. À admiração recíproca somou-se o gosto pelo jazz que os aproximou ainda mais. Para se ter uma ideia, o autor de O Nome da Rosa e de O Pêndulo de Foucault anotou no texto de apresentação de In Cerca di Cibo: “Não há necessidade de se discutir qual seria o templo mais adequado para a música de Coscia e Trovesi. Numa esquina ou numa sala de concertos – tanto faz – eles se sentiriam em casa”.

Pois o mesmo sofisticado selo de Manfred Eicher acaba de lançar um novo registro de 19 peças do duo Coscia-Trovesi – algumas bem breves – dedicadas a Umberto Eco. O título desse recital é tirado de um de seus romances: La Misteriosa Fiamma della Regina Loana, publicado em 2004, e cujo personagem principal é um livreiro de obras raras que perde a memória episódica devido a um derrame, esquece-se até do próprio nome, mas não dos livros marcantes que leu.

No texto de apresentação do álbum da ECM (a palavra fiamma, chama, é mudada para musica) lê-se: “Este álbum agradabilíssimo e altamente inventivo é dedicado ao falecido Umberto Eco, amigo do peito do acordeonista Gianni Coscia e um ardente padrinho desse particular duo. La Misteriosa Fiamma della Regina Loana, uma meditação de Eco sobre a natureza da memória, inspira Trovesi e Coscia numa jornada exploratória e nostálgica, com referências à música mencionada no livro e a seus temas filosóficos. O duo de italianos, como sempre, lança uma larga rede, tocando temas associados a Louis Armstrong, Glenn Miller e George Formby, parafraseando Janácek, mergulhando em música de filmes, e improvisando criativamente sem perder de vista o homenageado. O repertório revisita Interludio, peça em que Umberto Eco e Gianni Coscia colaboraram quando ainda adolescentes, e Gianluigi Trovesi apresenta uma nova composição com base nas letras do nome de Eco. Um brilhante tributo sob múltiplas perspectivas”.

As faixas notoriamente nostálgicas são: Basin Street blues (3m40), um dos “hinos” de Louis Armstrong, numa toada bem mainstream; duas versões de Moonlight serenade (4m35 e 1m05), clássico romântico da orquestra dançante de Glenn Miller, de 1939; As time goes by (2m), aquele tema também inesquecível do filmeCasablanca (1942), de Michael Curtiz, com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.

No duo Coscia-Trovesi, como sempre, o clarinete não é apenas “acompanhado” pelo acordeão. Os dois jazzmen interpretam suas composições e os standards em contínua confabulação, embora um dos instrumentos possa merecer especial realce em alguns solos mais extensos, como o clarinete de Trovesi em Gragnola(5m15), a faixa mais longa do programa.

(Quem não tem acesso ao Spotify pode ouvir samples deste álbum em:

www.prostudiomasters.com/featured/genre/jazz/new#quickview/album/36230)


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