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DIVA: Orquestra feminina abre exceção para jazzmen em gravação especial

Ken Peplowski e Claudio Roditi estão entre os boys convidados pela baterista-líder Sherrie Maricle

Imagem: Divajazz/ Divulgação

Em 1992, a baterista e arranjadora Sherrie Maricle fundou a DIVA Jazz Orchestra, uma big band na qual homem nunca teve vez, integrada nestes últimos anos por 15 jazzwomen de alto nível, com realce especial – além da líder – para a saxofonista Alexa Tarantino, que também toca clarinete e flauta. As outras instrumentistas estão divididas pelas seções de palhetas (quatro), de trompetes (quatro) e de trombones (três). Completam o time a baixista Noriko Ueda e a pianista Tomoko Ohno.

Para celebrar o seu 30º aniversário, o selo MCG Jazz, de Pittsburgh, está lançando o álbum DIVA + The Boys gravado em concerto ao vivo naquela cidade, em 2017. Como fica claro no título, trata-se de uma apresentação muito especial da orquestra feminina com a participação destacada de quatro barbados: o grande clarinetista Ken Peplowski, 60 anos; o admirável pistonista Claudio Roditi, 73 anos, carioca de nascimento e novaiorquino por adoção desde a década de 1970; os irmãos Jay e Marty Ashby, trombonista e guitarrista respectivamente.

DIVA + The Boys reproduz, em oito faixas, cerca de 50 minutos de jazz de primeira qualidade, ba-sicamente no estilo das big bands clássicas, com arranjos enxutos, de bom tamanho, que deixam espaços confortáveis para os solistas. Principalmente para os boys convidados pela comandante Sherrie Maricle, 56 anos, sempre alerta e incansável do alto da sua bateria. No cativante Piccolo blues (7m), por exemplo, Roditi (piccolo trumpet) exibe-se em solo de mais de um minuto, seguido por ‘‘declarações’’ de igual duração de Jennifer Krupa (trombone) e Alexa Tarantino (sax soprano).

Mas o solista mais ouvido nesse registro marcante da DIVA Jazz Orchestra é o clarinetista Ken Peplowski, sobretudo na interpretação de quatro temas: Slipped disc (5m40), que foi hit do sexteto de Benny Goodman na década de 1940, e é recriado com o balanço de um chorinho; Deference to Diz (6m15), composição bem bop de Jay Ashby, dedicada, é claro, a Dizzy Gillespie; The one I love belongs to somebody els(5m50), standard antiquíssimo de Isham Jones (1894-1956); a meditativa Estate (verão em italiano), a faixa mais longa do disco (8m30), que é uma canção italiana dos anos 60 gravada, entre outros, por João Gilberto, Chet Baker e Eliane Elias.

Claudio Roditi, no flugelhorn, é o principal solista de A felicidade (6m40), de Tom Jobim, ao lado da saxofonista Rossy Coss. Na faixa mais animada do álbum, Bucket o’ blues (5m40), por sobre o arranjo de Jay Ashby, trocam solos e compassos Janelle Reichman (sax tenor), Alexa Tarantino (sax soprano), Leigh Pilzer (sax barítono), assim como a pianista Tomoko Ohno e a baterista-líder.

DIVA + The Boys é o oitavo álbum dessa excelente orquestra de jazz à qual Sherrie Maricle se dedica de corpo e alma há mais de um quarto de século. O primeiro tinha sido Leave it to DIVA, lançado em 1997. Há dois anos, a Artistshare editou o 25th Anniversary Project CD. Em 2009, a incansável baterista-compositora-arranjadora, chefe de orquestra e professora já tinha sido premiada com o ‘‘Mary Lou Williams-Kennedy Center Lifetime Achievment Award’’.

(Quem não tem acesso ao Spotify, pode ouvir samples de DIVA + The Boys em: https://music.apple.com/us/album/diva-the-boys-live/1478921512)


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