Jazz

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Claudio Roditi (1946-2020)

Pistonista carioca-novaiorquino deixa rica discografia

Claudio Roditi
O trompetista Claudio Roditi / Crédito: Reprodução

Aos 73 anos, depois de muito lutar contra um câncer inicialmente na próstata, morreu no último dia 17, na sua casa de Nova Jersey, o notável e muito estimado trompetista Claudio Roditi, carioca formado no famoso Berklee College de Boston, novaiorquino por adoção desde 1976. “Seu lirismo e o calor discreto de seu trompete (ou flugelhorn) fizeram dele um dos mais realizados músicos de jazz nascidos no Brasil’’ – escreveu no seu obituário o crítico Nate Chinen (WBGO).

A projeção de Roditi começou em 1988, quando Dizzy Gillespie o levou para a sua United Nations Orchestra. Em 1992, um ano antes da morte do founding father do bebop, ele foi um dos sete pistonistas que se reuniram em torno do mestre, no clube Blue Note, Nova York, e com ele gravaram o álbum To Dizzy with Love (Telarc). Os outros seis eram o então octogenário Doc Cheatham, Jon Faddis, Wynton Marsalis, Red Rodney, Wallace Roney e Charlie Sepulveda.

Na discografia deixada por Claudio Roditi contam-se 19 itens em que ele atua como líder, dos quais os três últimos para o selo Resonance: Braziliance X 4 (2009), que foi nomeado para o Grammy de ‘‘Best Latin Jazz album’’, Simpatico (2010) e Bons Amigos (2011). Mas merece especial audição a sessão gravada no Rio de Janeiro, em 2006, e que gerou o CD Impressions (Sunnyside, 2008), na qual o trompetista liderou outros quatro jazzmen, velhos companheiros de palco e estúdio (Idriss Boudrioua, sax; Dario Galante, piano; Pascoal Meirelles, bateria; Sérgio Barrozo, baixo).

O último registro significativo de Roditi como sideman está no álbum DIVA + The Boys (MCG Jazz), gravação ao vivo de um concerto, em Pittsburgh, 2017, comemorativo dos 30 anos da DIVA Jazz Orchestra, da baterista e arranjadora Sherrie Maricle, e na qual homem não podia entrar. Para aquela ocasião muito especial, a líder convidou alguns jazzmen, dentre os quais Claudio e o grande clarinetista Ken Peplowski (DIVA + The Boys foi o tema desta coluna em 16/11/2019).

(Duas faixas de Impressions podem ser ouvidas em: https://claudiorodititrumpet.bandcamp.com/album/ressiimpons)

JIMMY HEATH (1926-2020)

O saxofonista tenor Jimmy Heath foi sagrado jazz master pela National Endowment for the Arts (NEA) em 2003, um ano depois de seu irmão mais velho, o contrabaixista Percy (1923-2005), ter recebido igual distinção. No último domingo (19/1), o já aposentado mestre Jimmy morreu, aos 93 anos, em casa, numa cidade da Georgia. O irmão mais novo, o baterista Albert “Tootie”, continua ativo aos 84 anos.

O mais famoso dos três irmãos foi Percy, por ter sido parte do imortal Modern Jazz Quartet, ao lado do pianista-compositor John Lewis, do vibrafonista Milt Jackson e do baterista Connie Kay. Mas o saxofonista Jimmy destacou-se como um dos grandes do bebop, e tocou com “todo mundo” (Dizzy Gillespie, Miles Davis, John Coltrane & Cia. Ltda.). Gravou 24 álbuns como líder, e mais 10 como integrante dos conjuntos nomeados The Heath Brothers (1975-2009).

Jimmy Heath foi ainda professor do City College e do Queens College, de Nova York. E escreveu uma notável autobiografia, com introdução de Wynton Marsalis: I walked with Giants (Temple University Press, 2010).


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