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Os Kindred Spirits do saxofonista Charles Lloyd

Blue Note lança o concerto de 80 anos do jazz master

Charles Lloyd
O jazz master Charles Lloyd no Festival de Jazz de Copenhague em 2018 / Crédito: Hreinn Gudlaugsson

O título do mais recente álbum de sua excelência o saxofonista-compositor Charles Lloyd, editado pelo selo Blue Note, é 8: Kindred Spirits .O número 8 refere-se ao número de décadas vividas pelo consagrado NEA jazz master, devidamente celebradas e registradas, em março de 2018, num concerto muito especial no Lobero Theatre, em Santa Barbara, Califórnia.

Esta coluna comemorou (16/3/2018) o 80º aniversário de Lloyd, lembrando que ele surgiu, em 1966, como um “clarão no céu do jazz”, diante de uma plateia bem hippie do Festival de Monterey, à frente de um quarteto no qual também começavam a brilhar outros dois astros: o pianista Keith Jarrett e o baterista Jack DeJohnette, então com 21 e 24 anos respectivamente. E que o LP da Atlantic que perpetuou aquele evento, com a faixa-título Forest Flower, atingiu a marca de 1 milhão de cópias vendidas.

O novo registro fonográfico de Lloyd não tem apenas valor documental. Trata-se de mais uma notável performance de jazz contemporâneo – envolvente, especulativoàs vezes hipnótico – do quinteto que ele batizou, mui apropriadamente, de Kindred Spirits (espíritos afins). Estas ‘‘almas gêmeas’’ são Julian Lage (guitarra), Gerald Clayton (piano), Reuben Rogers (baixo) e Eric Harland (bateria)Há ainda a participação (no boxset completo, de luxo) de dois convidados: o organista Booker T. Jones e o baixista Don Was (que é também o presidente da gravadora Blue Note).

Mas o cream of the crop do concerto de 2018, agora disponível, é o conjunto das quatro longas faixas iniciais do CD principal: Dream Weaver (21m05), Requiem (11m30), La llorona (9m) e Rumination (18m05).

Dream weaver foi a faixa-título do primeiro LP do ocotogenário saxofonista para a Atlantic, gravado no mesmo ano e com os mesmos companheiros do acima citado Forest Flower. E ele assim comenta a revisitação: ‘‘Dream weaver é chão sagrado para mim. Aquele disco resistiu à passagem dos tempos. Comecei a tocar o tema novamente e descobri novos meios de expressá-lo’’.

Requiem e La llorona (de uma canção do folclore mexicano) são também recriações alentadas de melodias muito caras a Lloyd. A primeira está na setlist do referencial álbum Notes from Big Sur (ECM, 1992), do quarteto com o pianista sueco Bobo Stenson; a segunda em Mirror (ECM, 2010), já com o apoio de Clayton, Rogers e Harland.

Finalmente, Rumination – uma das peças do recente CD Passin’ Thru (Blue Note, 2017) – é adaptada ao formato do quinteto Kindred Spirits, com a participação inestimável e destaque especial como solista do guitarrista Julian Lage, ex-garoto prodígio, hoje com 32 anos.

A propósito do concerto de seus 80 anos – agora disponível nas lojas e plataformas virtuais – o tenorista-compositor comentou: ‘‘Hoje em dia eu trago comigo tudo que já toquei, mas com a mente de um iniciante. Asim, junto o benefício da experiência e o desejo de novas descobertas. Algumas noites sou abençoado e as divindades me visitam. A gente não pode tentar juntar tudo de uma vez só, o que é o erro da juventude. Temos de escolher as notas certas, mas sinto que mesmo (ou ainda) agora, estou descobrindo notas novas que nunca tinha tocado’’.

Veja e ouça a interpretação de Requiem abaixo:


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