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A versão definitiva de Black, Brown and Beige

Wynton Marsalis e a LCJO recriam a obra-prima de Duke Ellington

Wynton Marsalis
Wynton Marsalis / Crédito: Divulgação

Cabeça e alma da instituição Jazz at Lincoln Center e da sua também renomada orquestra (JLCO), o trompetista-compositor Wynton Marsalis dispensa maiores apresentações. E desde quando começou a brilhar entre os young lions da década de 1980 sempre teve em mente aquela ideia de que contemporâneo não é apenas o que é novo, mas algo que resiste ao teste do tempo.

E é nessa linha que ele conduz também a Blue Engine Records, a gravadora da instituição, que já lançou a primeira safra de álbuns digitais deste ano da JLCO, dentre os quais merece destaque muito especial a recriação integral (com solos evidentemente novos) da suíte Black, Brown and Beige de Duke Ellington.

Marsalis considera que essa obra – cuja estreia se deu em 1943, no Carnegie Hall de Nova York – ocupa um lugar único na história do jazz. E que estava a merecer uma recriação integral, o que se deu nesse concerto gravado ao vivo, em 2018, no Rose Theater, no quinto andar do edifício do Jazz at Lincoln Center, lá no Columbus Circle, no centro de Manhattan..

Ellington qualificou a suíte Black, Brown and Beige como um “paralelo musical à história do negro americano”. A parte Black refere-se ao passado remoto, e tem dois temas básicos: Work song e Come Sunday. A parte Brown representa o sangue dado pelo negro ao seu país nas guerras da Independência e da Secessão. E a conclusão, Beige, inspira-se – conforme o compositor – na “visão comumente aceita da gente do Harlem e dos pequenos Harlems por todos os Estados Unidos”.

O primeiro registro fonográfico da suíte foi o da estreia (23/1/1943), reeditado pelo selo Prestige em 1977. A gravação feita pela Victor em estúdio, em dezembro de 1944, foi abreviada para 18 minutos. A da Columbia, de 1958, foi reduzida, apenas, a Work song e Come Sunday (com vocal da gospel singer Mahalia Jackson).

Agora, à frente da LCJO – que tem 15 membros mais ou menos fixos – Marsalis apresenta a versão “definitiva” da histórica obra de Ellington – evidentemente com alguns acréscimos – dividida em nove faixas agrupadas nas três partes da suíte, num total de 48 minutos. Black, a primeira, reúne: Worksong (8m05), Come Sunday (6m35) e Light (7m). A segunda parte (Brown) contém: West indian dance (3m), Emancipation celebration (2m10) e Blues theme mauve (5m55). No último bloco estão Various themes (6m50), Sugar Hill penthouse (4m20) e Finale (4m20).

O trompete primoroso de Wynton Marsalis pode ser apreciado nos seus solos em Light e Emancipation celebration. Em Blues theme mauve, destacam-se a vocalista Brianna Thomas e Julian Lee (sax tenor). Kenny Rampton (trompete) e Ted Nash (sax alto) são os principais solistas em Work song e Come Sunday, respectivamente. O pianista Dan Nimmer tem realce especial nas três últimas faixas da seção final (Beige).

(Samples deste álbum em: https://wyntonmarsalis.org/discography/title/black-brown-and-beige )


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