Jazz

Coluna Jazz

A Marseillaise de Laszlo Gardony

Virtuose do piano lança recital solo gravado ao vivo

Imagem: Divulgação

O pianista Laszlo Gardony, nascido há 63 anos em Budapeste, formou-se na Hungria, no Conservatório Bela Bartok, em 1979. Mas emigrou para os Estados Unidos em 1983, a fim de completar seus estudos no Berklee College of Music. Logo depois de pós-graduado aceitou um convite inédito para permanecer na famosa instituição de Boston. Não mais como aluno, mas como professor. Em 1987, ele foi o vencedor da Great American Jazz Piano Competition.

Esta breve apresentação é para registrar e recomendar o recém-lançado décimo álbum gravado para o selo Sunnyside por esse virtuose do teclado que elegeu o jazz como modo de expressão musical, num nível de criatividade tão alto como o dos bem mais festejados Brad Mehldau, Fred Hersch ou Denny Zeitlin.

La Marseillaise – já disponível nas plataformas virtuais – é uma seleção de oito peças interpretadas por Gardony, solo, ao vivo, em março deste ano, no Keys Fest, promovido pelo Berklee College of Music.

A capa do CD reproduz a célebre tela de Delacroix intitulada A liberdade guiando o povo (1830).

E o primeiro número do concerto, de cinco minutos de duração, ganhou o título de Revolution – uma série de variações a partir do hino nacional da França, A Marselhesa, mas de um modo bem bluesy, com muito swing a partir do segundo minuto da execução.

Para este novo recital Gardony selecionou dois temas muito conhecidos: O sole mio (5m05), do cancioneiro napolitano, executado em ritmo célere, com forte apoio da mão esquerda, à la McCoy Tyner; Misty (6m), aquela balada do imortal pianista Erroll Garner (1921-1977) que virou sucesso popular nas vozes de Frank Sinatra, Nat King Cole, Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan. Ele escolheu ainda Quiet now (4m50), composição de Denny Zeitlin, e que foi a faixa-título de um o álbum do trio do grande Bill Evans (1929-1980) gravado em 1969, mas só lançado em 1981 pelo selo Affinity.

Em La Marseillaise, Laszlo Gardoni apresenta de sua autoria, além da já citada Revolution, as seguintes faixas: Four notes given (4m35), totalmente improvisada a partir de quatro notas sugeridas, na hora, pela audiência do Keys Fest; On the spot (5m50), também uma exibição excepcional de arrojo técnico na base do aqui e agora; a lírica Mockingbird (4m20); Bourbon Street boogie (4m15), de título autoexplicativo.

Sobre a sua arte e o desafio de tocar em público – a sós com os ouvintes, sem seção rítmica – Gardoni comenta: ‘‘O que você toca deve parecer bem vivo, e isso exige uma leitura atenta do momento. É o que distingue o jazz de qualquer outro gênero: Tem de haver um verdadeiro domínio do momento intuitivo’’.

Em review publicada em The New York City Jazz Record, Donald Elfman qualificou a música registrada pelo pianista em La Marseillaise como ‘‘alternativamente sonhadora, melódica, insubordinada, lírica e – ainda mais importante – gloriosamente brincalhona’’.

(A primeira faixa, Revolution, pode ser ouvida em: http://www.sunnysiderecords.com/release_detail.php?releaseID=997)

(Samples de todas as faixas, mais um vídeo de 3m35, em:

https://www.amazon.com/Marseillaise-Laszlo-Gardony/dp/B07WJWG7K7)


Faça o cadastro gratuito e leia até 10 matérias por mês. Faça uma assinatura e tenha acesso ilimitado agora

Cadastro Gratuito

Cadastre-se e leia 10 matérias/mês de graça e receba conteúdo especializado

Cadastro Gratuito