Coluna do Fábio Zambeli

Economia

Incerteza sobre a pauta econômica deve permanecer até a eleição

Há indicativos de melhora nos próximos meses, mas num ritmo bastante lento

Mais uma semana muito, mais muito movimentada na cena política. Teve mudança na presidência da Petrobras, aborto voltando ao centro do debate eleitoral, Lula (PT) formalizando a aliança com Geraldo Alckmin (PSB), Jair Bolsonaro (PL) melhorando bastante nas pesquisas, partidos da terceira via tentando uma última manobra para lançamento de candidato único e mais uma CPI em gestação no Senado. Por fim, uma notícia muito negativa para o governo: a inflação de março veio com números que assustaram o mercado e a classe política –a maior para o mês em 28 anos.

E aí é importante colocarmos a bola no chão: os assuntos econômicos, que dizem respeito ao bolso do eleitor, vão dominar a campanha eleitoral? Normalmente, sim, o peso da economia é decisivo em qualquer disputa presidencial.

O governo tem feito um discurso otimista, sustentando que as condições gerais serão melhores no segundo semestre, sobretudo pela conjuntura global e o câmbio, o que tende a gerar inclusive uma revisão para cima da estimativa de PIB. Mas quando os preços dos alimentos e combustíveis, principalmente, vão começar a se estabilizar?

 

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Há indicativos de melhora nos próximos meses, mas num ritmo bastante lento. A incerteza deve permanecer até a eleição. Ainda que exista uma percepção positiva quanto à geração de empregos e um resultado inegável de medidas microeconômicas que injetam mais recursos na economia, não é um terreno seguro e confortável para Bolsonaro a pauta econômica.

E o presidente, com esse diagnóstico, tende a estimular cada vez mais a chamada “guerra ideológica” contra o PT. Exatamente por isso, Lula precisa tomar cuidado se não quiser entregar para o adversário munição nesse campo. Afinal, o líder nas pesquisas dependerá de mais apoio na classe média e do eleitor mais moderado para formar maioria contra Bolsonaro. E o esvaziamento precoce da terceira via exigirá dos dois candidatos que lideram as pesquisas algum esforço em direção a esse contingente do eleitorado – que é incapaz de viabilizar uma candidatura competitiva, mas pode decidir o jogo.

As análises completas de Fabio Zambelli, analista-chefe do JOTA, sobre a semana para o governo estão disponíveis também no perfil do JOTA no Instagram (@jotaflash) às sexta-feiras.