Jazz

solista da big band

Joel Ross é a nova estrela do vibrafone

Aos 24 anos, Ross lidera quinteto em KingMaker

Na década de 1930, Lionel Hampton (1908-2002) introduziu o vibrafone no jazz, e ficou famoso como solista da big band e do quarteto de Benny Goodman. A partir de então, o instrumento melódico-percussivo foi o meio de expressão de músicos consagrados como Red Norvo, Milt Jackson (parceiro de John Lewis no Modern Jazz Quartet), Terry Gibbs, Bobby Hutcherson e Gary Burton.

Este último aposentou-se em 2017, aos 74 anos, pouco depois de sagrado “Jazz Master” pela National Endowment for the Arts (NEA). Ele introduziu a técnica de tocar o instrumento elétrico de teclas de metal usando quatro marteletes (mallets) ao mesmo tempo, e não apenas dois. Foi um dos ases da jazz fusion no fim da década de 1960, e teve ainda uma carreira educacional no Berklee College of Music de Boston.

O mais falado e ouvido vibrafonista das gerações mais novas era, até bem recentemente, o quarentão Stefon Harris, que consolidou o seu prestígio numa série de sete gravações para o selo Blue Note entre 1998 e 2009. Pois Harris “descobriu” e orientou Joel Ross, nascido em Chicago há 24 anos, hoje radicado no Brooklyn, e que é a nova sensação em matéria de vibes.

Joel Ross vem de lançar pelo selo Blue Note o seu primeiro álbum como líder, intitulado KingMaker, no comando de um quinteto integrado por Immanuel Wilkins (sax alto), Jeremy Corren (piano), Benjamin Tiberio (baixo elétrico) e Jeremy Dutton (bateria). A vocalista Gretchen Parlato atua como convidada especial numa das 12 faixas da sessão.

Ross é o autor de 10 composições do programa, inspirando-se em pessoas de suas relações, a maioria da própria família. Aliás, a capa do CD é uma foto na qual o garotinho Joel é abraçado pela mãe, juntamente com o seu irmão gêmeo.

O reviwer Filipe Freitas, do site JazzTrail, comentou com muita propriedade: “A faixa-título (6m05), dedicada à sua mãe, é uma das mais fortes em matéria de harmonia e ritmo contemporâneos (…). Antes desta faixa (a sétima), ele já tinha mostrado porque é considerado uma das mais brilhantes vozes no jazz de hoje. A peça de abertura, Touched by an angel (de quase 11 minutos) é também uma vitrine para a apreciação dasua mestria”.

Mas KingMaker não é simplesmente a apresentação caprichada de um novo astro surgido no firmamento do jazz pela afamada gravadora Blue Note, que está comemorando 80 anos de fundação. Os outros quatro músicos do combo atuam em constante confabulação, principalmente a seção propriamente rítmica, que está à altura da efervescência e da criatividade do líder. O baixista Tiberio ganhou até um Interlude (1m10), solo. O baterista Dutton tem destaque especial em Yana (5m45). O sax alto de Wilkins está particularmente frenético, bem free, na faixa-título. A ilustre convidada Gretchen Parlato acaricia com a sua voz a romântica Freda’s disposition (7m).

(A faixa-título deste álbum pode ser ouvida em:https://www.jazzmusicarchives.com/video/joel-ross/24291) .


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