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Privatização da Eletrobras: 54,5% dos deputados são favoráveis

JOTA divulgou ao longo da semana o apoio de parlamentares à desestatização de outras cinco empresas públicas

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Hidrelétrica de Itaipu - Crédito: Alexandre Marchetti /ItaipuBinacional

Mais da metade dos deputados federais são favoráveis à privatização da Eletrobras. Pesquisa parlamentar do JOTA mostrou que 54,5% dos parlamentares apoiam a desestatização da empresa pública — 40,8% dos deputados são contrários e 4,7% “nem contra nem a favor”.

Os números fazem parte da mais recente pesquisa JOTA/Ibpad feita com deputados e divulgada na íntegra e de forma antecipada para clientes JOTA Pro.

A pesquisa parlamentar do JOTA mostra que os deputados federais têm visões distintas sobre a privatização de diferentes estatais.

A maioria é contra privatizar a Caixa, mas é favorável à desestatização do Banco do Brasil. Além disso, menos da metade dos deputados apoia a privatização da Petrobras.

Os deputados também mostraram que estão divididos quanto à privatização dos Correios e mais da metade rejeita a hipótese para o Serpro.

Privatização da Eletrobras

A maior proporção de favoráveis à privatização da Eletrobras está na base governista. Entre os deputados dos partidos da base, 72,9% são favoráveis, 22,9%, contrários, e 4,2% se declaram “nem contra nem a favor”.

Na oposição, 92,6% são contrários à desestatização da estatal de serviço postal, enquanto 7,4% “nem contra nem a favor”.

Já entre o grupo de deputados classificados como swing voters pelo JOTA, 65,3% são contrários a privatizar os Correios, 30,6%, a favor, e 4,1% “nem contra nem a favor”.

Privatização da Eletrobras

Na Câmara, tramita o PL 5877/19, que viabiliza a desejada capitalização da Eletrobras. Proposto pelo governo apenas em novembro depois de intensa cobrança do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o projeto está totalmente paralisado desde o fim do ano passado.

Maia sequer assinou despacho que define o regime de tramitação do projeto na Câmara. E o governo não sinaliza nenhum movimento de pressão para que a paralisia seja superada.

A expectativa era de criação imediata de uma comissão especial – nos moldes do que foi feito com o projeto de privatização do ex-presidente Michel Temer – com prazo exíguo de análise da versão Bolsonaro, mas o presidente da Câmara resiste em liberar o texto para o colegiado até conseguir um acordo político em torno do tema.

As bancadas de Minas Gerais e parte expressiva do Nordeste são contrários ao projeto, e Maia aspira construir um entendimento pelo menos de procedimentos que evite conflitos – e risco de problemas em outras votações – com bancadas que reúnem 195 votos em plenário.

Com o fim das pressões impostas à Câmara em 2019 no caráter de prioridades (previdência e depois saneamento) e com a volta dos trabalhos, Maia terá tempo durante fevereiro – mês tradicionalmente é “morno” em votações polêmicas por causa das negociações partidárias para divisão do comando das comissões permanentes – para a costura política.

Cotado para ser o relator do projeto, o ex-ministro Fernando Bezerra Coelho Filho (DEM-PE) deve entrar nas conversas para ajudar na construção de entendimento com os nordestinos.

Pesquisa parlamentar

Em dezembro, foram ouvidos 155 parlamentares. A amostra foi estratificada por grupos de partidos (base, oposição e swing voters). O sorteio foi realizado antes da coleta e, posteriormente, o JOTA fez um modelo de pós-estratificação para garantir o balanceamento.

JOTA acredita que, em uma população pequena como a de 513 deputados, fazer uma amostragem por ponto de fluxo, pegando deputados dispostos a responder nos corredores da Câmara, insere vieses não amostrais nos resultados. Por isso, o time de dados utiliza uma metodologia própria de amostragem e estratificação.

A pesquisa parlamentar do JOTA mostrou que 71% dos deputados acreditam numa aprovação da reforma tributária no primeiro semestre deste ano e também monitorou apoio de parlamentares a benefícios fiscais para determinas setores. Mais de 70% dos deputados se disseram a favor de benefícios fiscais para medicamentos e 54%, a planos de saúde.

Em outras áreas, a pesquisa parlamentar identificou que 64% dos parlamentares se declararam favoráveis a benefícios fiscais para operações com alimentos, 66%, a benefícios fiscais para o setor de saneamento básico, e 67% apoiam benefícios fiscais ao transporte público coletivo urbano. Além disso, 76% dos parlamentares são favoráveis a incentivos fiscais para o setor de educação.


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